Contatos 11 3492-0169 11-5513-6064        11- 98255-6755
CATIMBÓ A Jurema é uma árvore que floresce no agreste e na caatinga nordestina; da casca de seu tronco e de suas raízes se faz uma bebida mágico-sagrada que  alimenta e dá força aos encantados do “outro-mundo”. É também essa bebida que permite aos homens entrar em contato com o mundo espiritual e os  seres que lá residem. O Catimbó, envolve como padrão a ingestão da bebida feita com partes da Jurema, o uso ritual do tabaco, o transe de possessão por seres encantados,  além da crença em um mundo espiritual onde as entidades residem.  Para seus adeptos, o mundo espiritual tem o nome de Juremá e é composto por reinados, cidades e aldeias. Nestes Reinos e Cidades residem os  encantados: os Mestres e os Caboclos. “Cada aldeia tem três ‘mestres’. Doze aldeias fazem um Reino com 36 ‘mestres’.No reino há cidades, serras,  florestas, rios.Quanto são os Reinos?Sete, segundo uns.Vajucá, Tigre, Candindé, Urubá, Juremal, Fundo do Mar, e Josafá. Ou cinco, ensinam outros.  Vajucá, Juremal, Tanema, Urubá e Josafá”. Troncos da planta são assentados em recipientes de barro e simbolizam as cidades dos principais mestres das casas. Estes troncos, juntamente com as  princesas e príncipes, com imagens de santos católicos e de espíritos afro-ameríndios, maracas e cachimbos, constituirão as Mesas de Jurema. Chama-se  Mesa o altar junto ao qual são consultados os espíritos e onde são oferecidas as obrigações que a eles se deva. As princesas são vasilhas redondas de  vidro ou de louça dentro das quais são preparadas a bebida sagrada e, em ocasiões especiais, onde são oferecidos alimentos ou bebidas aos encantados.  Os príncipes são taças ou copos, que normalmente estão cheios com água e eventualmente com alguma bebida do agrado da entidade.  OS HABITANTES DO JUREMÁ Duas categorias de entidades espirituais tem seus assentamentos nas mesas de Jurema, os Caboclos e os Mestres. Os Caboclos são identificados como entidades indígenas que trabalham principalmente com a cura através do conhecimento das ervas, dão passes e  realizam benzeduras com ervas e folhagens.São associados às correntes espirituais mais elevadas, as que trabalham para o bem, mas que também  podem ser perigosas quando usados contra alguém.Por isso são muito temidos.  Uma outra categoria de entidades que recebem culto na Jurema é a dos Mestres. Os mestres são descritos como espíritos curadores de descendência  escrava ou mestiça.Pessoas que, quando em vida, possuíam conhecimento de ervas e plantas curativas. Por outro lado, algo trágico teria acontecido e  eles teriam morrido, se “encantando”, podendo assim voltar para “acudir” os que ficaram “neste vale de lágrimas”. Alguns deles se iniciaram nos  mistérios e “ciência” da Jurema antes de morrer. Outros adquiriram esse conhecimento no momento da morte, pelo fato desta ter acontecido próximo a  um espécime da árvore sagrada. O símbolo dos mestres é o cachimbo ou “marca”, cujo poder está na fumaça que tanto mata como cura, dependendo se  a fumaçada é “às esquerdas” ou “às direitas”. Essa relação com a “magia da fumaça” é expressa nos assentamentos dos mestres, onde sempre se  encontra presente “rodias” de fumo de rolo, nos cachimbos e nas toadas.As marcas são gravadas nos cachimbos, e indicam as vitórias alcançadas pelo  mestre que o usa.Quando em terra, os mestres já chegam embriagados e falando embolado. São brincalhões, falam palavrões, mas são respeitados por  todos.Dançam tendo como base o ritmo dos Ilus e a letra das toadas. Como oferendas, recebem a cachaça, o fumo, alimentos preparados com crustáceos  e moluscos diversos.Com essas iguarias, agrada-se e fortifica-se os mestres.  A bebida feita com a entrecasca do caule ou raiz da Jurema e outras ervas de “ciência” (Junça, Angico, Jucá, entre outras) acrescidas à aguardente, é,  entretanto, a maior fonte de força e “ciência”, para estas entidades. Também trabalham no Catimbó as Mestras.Tais mestras são peritas nos "assuntos do  coração", são elas que dão conselhos as moças e rapazes que queiram casar-se, que realizam as amarrações amorosas, que fazem e desfazem  casamentos.  JUREMAÇÃO: Muitos juremeiros dizem que “um bom mestre já nasce feito”; contudo alguns ritos são utilizados para “fortificar as correntes” e dar  mais conhecimento mágico-espiritual aos discípulos.O ritual mais simples, porem de “muita ciência” é o conhecido como “juremação”, “implantação da  semente”, ou “Ciência da Jurema”. Este ritual consiste em plantar no corpo do discípulo, por baixo de sua pele, uma semente da árvore sagrada. Existem  três procedimentos para isso. Em um primeiro, o próprio mestre promete ao discípulo e após algum tempo, misteriosamente, surge a semente em uma  parte qualquer do corpo.Um segundo procedimento é aquele em que o líder religioso realiza um ritual especial, onde dá a seus afilhados a semente e o  vinho de Jurema para beber. Após este rito, o iniciante deve abster-se de relações sexuais por sete dias consecutivos, período em que todas as noites ele  deverá ser levado em sonhos, por seus guias espirituais, para conhecer as cidades e aldeias onde aqueles residem. Ao final deste período, a semente  ingerida deverá reaparecer em baixo de sua pele.Num terceiro procedimento, o juremeiro implanta a semente da Jurema, através de um corte realizado  na pele do braço. 
PRÓXIMA HOME