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IGBÁS IGBÁS - A ligação do profano com o sagrado!! Igbás    (Ibá)    (awọn    igbá)    são    assentamentos    de    orixá    (òrìṣà).    Um assentamento   é   uma   representação   do   Orixá   (òrìṣà)   no   espaço   físico,   no mundo,    no    Aìyé    (terra).    Sob    o    ponto    de    vista    sacro    não    existem representações humanas de orixá (òrìṣà). A   religião   Yorùbá   não   tem   imagens   para   representar   suas   divindades,   o   que   representa   uma   divindade   é   o   seu   Igbá (assentamento),   ao   olharmos   um   Igbá   é   como   se   estivéssemos   olhando   para   a   divindade.   Secularmente   existem representações   em   forma   de   desenhos   e   esculturas   mas   que   são   frutos   apenas   de   criatividade   de   artistas   e   não   tem uso sacro. iba - igba - assentamento de santo - Orixá - Orixás Candomblé Os   orixá   (awọn   òrìṣà)   são   adequadamente   representados   por   símbolos   e   grafismos   próprios   de   cada   um   e   por extensão   por   outros   elementos   como   folhas,   arvores,   favas   e   contas.   Mas   o   Igbá   é   a   sua   representação   mais adequada. O   mesmo   sentimento   que   um   católico   tem   ao   olhar   para   uma   imagem   de   um   santo   em   sua   igreja   e   altar,   o   povo   de santo   tem   ao   olhar   para   um   igbá.   É   muito   comum   as   pessoas,   nos   seus   quartos   de   santo,   “vestirem”   seus   Igbá   com suas   roupas   de   orixá   (òrìṣà)   como   se   fosse   o   próprio   orixá).   Contudo,   igbá   são   de   acesso   muito   restrito,   de   uso exclusivamente sacro e ritualístico, não tem visibilidade pública e ficam guardados dos olhos de todos. Ibá de orixás mulher ou seja (iabás,ou ayabás).no candomblé são as orixás femininas, Dessa   maneira,   cada   Igbá   representa   uma   divindade   através   de   um   continente   (Vaso,   invólucro,   recipiente)   e   seu conteúdo,   e   esse   conjunto,   continente   e   conteúdo   é   específico   de   cada   divindade.   Esses   continentes   podem   ser   de porcelana   (substituindo   cabaças),   barro   ou   madeira   e   serão   empregados   distintamente   para   cada   divindade   que   ele representa. São usados elementos físicos comuns, como tigelas, sopeiras, pratos, bacias e alguidares. O   iniciado   no   seu   processo   de   feitura   (que   é   distinto   de   uma   iniciação   mas   muitas   vezes   essas   expressões   se confundem)   poderá   receber   um   ou   vários   Igbá,   dependendo,   da   “qualidade”   de   seu   Orixá   e   da   própria   tradição   da casa em conduzir este ritual. Essa   religião   não   coloca   um   orixá   dentro   de   uma   sopeira,   não   é   uma   religião   animista.   O   igbá   representa   apenas   a ligação   entre   os   2   espaços,   o   espaço   físico   aìyé   e   o   espaço   espiritual   o   Orun   (Ceú   espiritual).   É   uma   “ponte”   entre   os 2   espaços.   Sua   função   não   é   trazer   o   orixá   (òrìṣà)   para   o   aìyé   porque   os   orixá   (òrìṣà)   já   estão   presentes   em   nossa vida o tempo todo, não existe secularismo na religião. Sua função é completamente ritualística. O   igbá   é,   de   fato,   dentro   de   toda   a   religião   Yorùbá   (dicionário   Yoruba)   uma   dos   elementos   mais   importantes   e significativos   por   traduzir   a   contínua   relação   entre   o   Orun   (ọ̀run)   e   o   aìyé.   Ele   representa   o   reconhecimento   da existência   do   espaço   espiritual,   o   Orun   (ọ̀run),   e   a   ligação   perene   que   existe   entre   os   2   espaços   (ọ̀run-aìyé)   na   forma de   um   contínuo   duplamente   alimentado   e   da   circulação,   transformação   e   reposição   de   axé   .   Dessa   maneira   o   seu valor   não   esta   somente   na   sua   existência   como   instrumento   ritualístico,   como   foi   ressaltado   no   início,   mas   também   no que ele representa. Assentamento de Orixá no candomblé - igba O   Igbá   é   uma   manifestação   de   Fé,   e   por   isso   um   reconhecimento   de   nossa   Fé   na   religião.   De   acordo   com   a metafísica   Yorùbá,   para   tudo   que   existe   no   aìyé   (terra)   existe   um   duplo   no   Orun   (terra).   O   Igbá   é   um   elemento   de ligação    entre    essas    2    porções    e    um    instrumento    de    concentração    de    energia.    É    usado    para    nos    ligarmos    às divindades, liga o físico à dimensão espiritual, a dimensão aìyé à dimensão Orun (espaço espiritual). O   objetivo   de   um   Igbá   é   potencializar   a   ligação   Orun-aìyé   (ọ̀run-aìyé)   sendo   o   instrumento   que   no   aìyé   representa   o duplo   do   Orun   (ọ̀run).   O   Igbá   esta   vinculado   diretamente   à   uma   pessoa   no   aìyé   mas   não   a   representa   e   sim   ao   duplo do   Orun   (Ceú).   Como   já   foi   dito   ele   não   armazena   um   orixá   (òrìṣà),   ele   não   é   uma   lâmpada   mágica   que   esfregamos para   dali   sair   um   orixá.   Ele   é   a   ponte   de   ligação   direta   entre   o   aìyé   e   o   Orun   (ọ̀run)   entre   o   iniciado   no   aìyé   e   suas energias e divindades no Orun (ọ̀run). Um   dos   principais   usos   que   se   dá   a   ele   é   receber   os   Ebós   (significado   de   Ebó),   que   são   sacrifícios   de   todo   o   tipo, entendendo   que   o   sentido   de   sacrifício   na   religião   não   envolve   o   uso   de   sangue   em   sí.   Um   sacrifício   por   ser   qualquer oferenda que vai se converter em axé (àṣẹ). Um Obi, um Acaça é um sacrifício e pode substituir um boi. Esse   aspecto   de   participar   ativamente   de   Ebós   (ẹbọ)   é   uma   finalidade   muito   importante,   mas   não   imprescindível.   Não se   precisa   de   uma   Igbá   para   fazer   uma   oferenda,   mas,   todo   sacerdote   (Babalorixá/Yalorixá)   tem   e   usa   os   seus   para isso.   Isso   tem   todo   o   sentido,   sendo   o   Igbá   um   elemento   de   ligação   ou   de   potencialização   dessa   ligação   como   esta sendo dito realizar isso junto a eles é fazer esse instrumento funcionar. Do Que É Feito Um Igbá De Orixá? O   Igbá   é   feito   usando   materiais   que   estão   ligados   à   divindade   que   ele   representa. Assim   o   material   e   o   seu   conteúdo ajudam   a   estabelecer   a   relação,   devendo   ser   utilizados   sempre   elementos   completamente   afins   com   a   divindade   e que   traduzem   a   matéria   original   do   Orun   (ọ̀run).   Conhecer   essas   relações   e   afinidades   é   parte   do   aprendizado   de   um iniciado durante sua vida e somente aqueles que as conhecem terão verdadeiro sucesso no seu trabalho ritualístico. O principal elemento dentro de um Igbá é a pedra, o okuta. Acima   de   todos   os   demais   componentes   ela   receberá   todo   o   trabalho   ritual   de   preparação   e   por   essa   razão   muitos dizem   que   é   a   única   coisa   importante,   todo   o   demais   é   apenas   decorativo.   O   pedra   para   os   Yorùbá   significa   a longevidade a existência perene. Os   demais   elementos   fazem   parte   do   enredo   do   orixá   de   maneira   que   não   são   apenas   decorativos.   Entretanto   muitos itens que são colocados em um igbá pode ser meramente decorativos. Os   demais   elementos   em   um   Igbá   variam   entre   metais,   favas,   folhas   e   outros   materiais   que   remetem   ao   orixá (Orisha)   original.   O   elemento   escolhido   para   o   continente   do   Igbá   também   terá   relação   direta   com   ele. Tudo   dentro   de um   Igbá   é   feito   para   traduzir   a   matéria   original   do   Orun   que   foi   materializada   no   aìyé   através   do   iniciado   ou   da comunidade que o Igbá representará. A   escolha   de   cada   elemento   depende   de   para   quem   será   feita   a   ligação.   Cada   orixá   (òrìṣà)   tem   os   seus   elementos correspondentes   no   aìyé. Adornos   e   enfeites   exteriores   que   apenas   agradam   ao   ego   de   quem   faz   não   ajudam   nisso. O   importante   são   as   folhas,   as   favas,   os   metais   e   outros   elementos   genéricos   como   os   búzios.   Entendo   que   moedas, muito   presentes,   deveriam   ser   representadas   apenas   pelos   búzios,   que   eram   dinheiro,   mas   muita   gente   coloca   mais como um desejo de prosperidade do que um elemento de ligação de fato. O   material   do   recipiente   externo   é   escolhido   entre   algumas   opções.   A   cabaça   é   substituída   pela   porcelana   branca para   os   orixá   (òrìṣà)   fun   fun,   o   barro   e   excepecionalmente   a   madeira   para   um   orixá   (òrìṣà)   específico.   As   cores desses   materiais   e   elementos   decorativos   vão   compor   esse   conjunto   de   forma   harmoniosa.   Para   os   caso   das   cores existe muita criativade. Os   Yorùbá   reconhecem   apenas   3   cores,   o   branco,   o   vermelho   e   o   preto.   Todas   as   demais   cores   são   elementos   de uma   dessas   2   famílias   e   as   representam   da   mesma   maneira.   Assim   o   verde   e   o   azul   são   elementos   da   cor   preta.   O amarelo   do   vermelho   e   por   assim   vai.Todo   Igbá   individualizado   é   composto   de   um   recipiente   com   tampa   (continente) contendo   a   pedra,   okuta,   o   núcleo   do   Igbá   e   os   demais   elementos   com   água,   óleos   e   outros   elementos   líquidos.   O igbá   sem   tampa   é   usado   em   assentos   coletivos,   não   individualizados,   eventualmente   casas   e   axé   (àṣẹ)   podem   fazer variações disso.