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 Vódun Agbê - O senhor dos mares
                                    Agbê   é   o   vódun   senhor   de   hu,   o   mar.   Está entre   os   Tô-vóduns,   cultuado   sobretudo   pelos hweda,     nas     circuvizinhanças     de     Uidá     e Grande    Popo,    no    Benim.    Ele    foi    o    terceiro filho   de   Mawú,   gerado   com   sua   irmã   gêmea Naeté.   Ele   é   representado   por   uma   serpente, um     símbolo     que     representa     tudo     que     é perene.    Um    de    seus    filhos    mais    temidos    é Dan     Toxosu,     que     manifesta     sua     própria imagem,    nos    nascimentos    de    bebês    com deformações   físicas,   pois   os   fón   consideram que       crianças       com       deformidades       são protegidos     por     Tohosu     ou     Toxosu     (lê-se: Torrossu).   A   festa   anual   de   Agbê   (chamada   Gozìn),   que   celebra   a aliança   entre   os   homens   e   o   mar,   ocorre   em   Grande   Popo   no   litoral sudoeste   do   Benin   (antes,   em   Uidá)   todo   dia   10   de   janeiro,   dia   que   o governo    beninense    decretou    em    1996    como    feriado    nacional, dedicado   à   herança   ancestral   da   tradição   vodun.   A   cerimônia,   muito concorrida   por   iniciados   do   culto   vodun   vindos   de   várias   partes   do Benin,    mas    ainda    também    do    Togo,    Haiti,    França,    Canadá,EUA    e Brasil,   é   dirigida   pelo   mais   respeitado   sacerdote   de   Agbê   entre   os fon,   que   é   o   Daagbo   Hunon,   cuja   tradição   remonta   ao   Século   XIV. Para   muitos,   o   Daagbo   Hunon   é   o   mais   importante   sacerdote   de toda a religião dos voduns. Na   época   em   que   o   rei   Agbé   (Agbê)   estava   guerreando   contra   os gens     de     Agome-séva,     conheceu     uma     mulher     chamada     Aveu (originária   de   Avé)   que   tinha   trazido   da   região   do   Tado   uma   serpente tida   como   sagrada   e   era   adorada   pelo   povo   gen   de   Houla   sob   o nome   de   Ahuanba   (O   Chicote   da   Guerra)   e   lhe   construiu   um   templo na   região   do   Grande   Popo   dentre   o   povo   gen   que   habitava   Houla. Agbé   quis   saber   da   mulher   qual   a   importância   da   adoração   e   dos poderes    da    serpente,    e    um    deles,    era    o    de    conferir    poder    nas guerras   e   invencibilidade.   Agbé   perguntou   a   Aveu   o   que   ele   teria que   fazer   para   vencer   a   guerra   que   tinha   contra   os   gen   de   Agome- séva,   ela   lhe   disse   que   teria   que   ter   a   serpente   e   cultuá-la.   Não   deu outra...   o   rei   resolveu   desposar   Aveu,   e   assim   o   fez.   Agora   estava   na posse da serpente e prestando culto. Aconteceu, porém, que fora apanhado de surpresa pelas tropas inimigas    que    o    levaram    preso    bem    como    toda    sua    família,    os espancaram e afogaram todos nas águas do mar.
Dessa   época   para   cá,   Agbé   e   sua família         passaram         a         ser reverenciados   como   voduns   do mar   pelo   povo   gen   de   Houla,   o qual   passou   a   prestar   mais   um culto,   o   culto   do   mar   ao   vodún Agbé   e   sua   família   do   mar.   Por isso   é   costume   dizer   que   “O   mar pertence   a   Dangbé”,   pois   o   culto de   Agbé   principia   com   este   povo que    anteriormente    só    prestava culto   a   Dangbé   denominado   por eles como “O Chicote da Guerra”. Os     Agbodjevi     daquela     região     uniram     estes     aspectos religiosos   e   instituíram   o   primeiro   culto   de   Dangbé   vinculado ao    culto    do    mar    com    sacerdócio,    instituindo    sacerdotes dentre    os    seus,    por    esta    razão    os    seus    sacerdotes    são denominados     "Dènon"     (Sacerdote     Principiador),     já     em outras   regiões   e   por   outros   clãs   o   sacerdote   do   culto   do   mar ficou conhecido por Hunnon. Os     símbolos     de     Agbé     são     conchas     marinhas     diversas incluindo    búzios;    a    estrela    do    mar;    e    os    corais,    sempre presentes nos fios de conta que portam os seus adeptos. Possivelmente   com   o   passar   do   tempo,   o   culto   do   tovodun Agbé    fundiu-se    com    Xù    (O    Oceano)    da    cosmogonia    Fon, dando   ânima   ao   personagem   habitat   concebido   em   um   dos partos da deusa Máwu. Já   na   diáspora,   principalmente   no   Brasil,   o   culto   de   Agbé, bem   como   o   culto   de   outras   divindades   do   mar,   sofreu   uma grande    influência    do    culto    do    òrisà    Iyémöjà    (Yemanjá    na crença     nagô),     sendo     que     costumeiramente     ouvimos     a denominação   Agbemanjá   em   terreiros   de   Tambor   de   Mina no   Brasil,   uma   hibridização   e/ou   aculturação,   talvez   não   de palavras, mas de cultos. O   vodun   Agbé   (Agbé   Ta   Ayó-   Abetaió   no   Hunkpame   Dahome -   Agbé   cabeça   de   Oyó,   porque   os   reis   do   Tado   continuavam   a serem    coroados    em    Oyó,    sua    origem    )    no    Haiti    onde    se denomina   Agwe   Tawoyo,   Agwe   é   nome   oriundo   da   cidade Agoué (Agbé).
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