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ÀYÀN - O Orisá do Tambor    As religiões de matrizes africanas há tempos vêm  resgatando alguns elementos que por ventura ficaram  esquecios dos meados do ano de 1830 até o ano atual.  Orisá Àyàn - Orisá do tambor é um desses  elementos: Ogan do tambor,  Abatazeiros, Abatás, batedores de tambor, seja lá qual for à denominação que podemos chamá-los, mas algo nos chama a atenção: Os Onilus são os responsáveis pelos tambores e é admirável a preparação dessas pessoas especiais para a liturgia das religiões de matrizes africana, assim bem como os seus segredos. Os segredos dos tambores de tambor que é um elemento sagrado na cultura Yorubá, com rituais religiosos para sua construção, preparação e iniciação daqueles que irão tocá-lo. Os tambor sagrados são tratados como criaturas viventes, que devem ter cuidados específicos e uma variedade de regras para o seu uso.
A força espiritual contida no tambor e que o consagra é chamado de " Ayan" ou " Ayon" O Orisá do tambor. Para que alguém possa ser iniciado para Ayan e tocar o tambor, deve cumprir rígidos rituais religiosos.  No Brasil esta tradição praticamente perdeu-se, mas foi mantida na Nigéria e Benin a Terra Yorubá e em Cuba. O iniciado recebe a força espiritual necessária para tocar os tambores de forma correta, para que estes possam "falar" com os Orisás, chamando-os para as cerimônias a eles dedicadas. Ayan representa a expressão sonora das Divindades; e o símbolo do tambor que serve como depositário dos poderes Divinos , e ele é o veículo que lhe dá a voz. A consagração de Ayan no tambor Batá é feita por meio de ritual e elementos litúrgicos sagrados, que ficam dentro do tambor, que é selado hermeticamente com as duas peles. Quando Ayan é fixado no tambor é chamado de "Eleekoto". O ritual de consagração inclui pintura do tambor com a assinatura de Sango. Eleekoto é simbolizado ou seja representado por uma miniatura de tambor que não pode ser tocado, pois simboliza " Ayan " . ,Diz uma lenda da divindade ÀYÀN/ÀYON, que Olódùmarè (o Deus Supremo) o chama para aprender o poder de cada Òrìşá, para ensinar os homens a louvá-los através do canto, da dança e dos ritmos sagrados. Na verdade o próprio instrumento - o tambor - é considerado como a veste material de um espírito e dizem os mitos, que cada tambor possui seu espírito elemental, que se materializa dentro dos mesmos durante as cerimônias para que o rito tenha prosseguimento segundo a egrégora do templo em questão, de acordo com o Òrìşá regente da casa. A divindade ÀYÀN/ÀYON está ligada a vários ancestrais através do mito do tambor. A vara Ixàn (işan) possui o mesmo fundamento invocatório e de encantamento que a vara de atori usada nos tambores. A origem dos instrumentos musicais é remota e controversa e sua evolução acompanha a própria história das civilizações. Não há povo da Antiguidade que não tenha feito uso de instrumentos musicais mais ou menos rudimentares, já que a música é uma linguagem espontânea e inerente ao próprio homem, sendo provável que tenha aparecido antes da linguagem verbal. O homem pré – histórico acreditava que a pele de sua caça esticada em troncos de árvores reproduzia o choro do animal morto. E foi com esse sentimento de gratidão que passou a consagrar a morte de sua caça. Pode-se dizer que esse foi um dos princípios da manifestação religiosa do homem e a origem dos tambores. O toque do tambor revela a arte de conectar- se com a Mãe Terra e com nosso eu interior, sintonizando nosso coração ao coração dela, e de viajar ao mundo do invisível, constatando nossa ancestralidade e todos os reinos da Natureza. A música e a dança sempre foram os principais responsáveis dessa comunicação com Deus. Alguns historiadores e antropólogos do século XX destacaram a idéia de que a maneira utilizada para se chegar aos conhecimentos místicos em religiões primitivas esteve sempre associada ao êxtase (o transe) provocado pelo toque do tambor. Esse instrumento seria então o responsável pela comunicação entre o homem e as divindades – seres responsáveis pelo comando da Natureza em nosso planeta. O Djembe é possivelmente o mais influente e a base de todos os outros tambores africanos, e desde há pelo menos 500 anos D.C. é um tambor sagrado utilizado em cerimônias de cura, rituais de passagem, culto aos ancestrais e ainda em danças e socialmente. A origem dos instrumentos musicais é remota e controversa e sua evolução acompanha a própria história das civilizações. Não há povo da Antiguidade que não tenha feito uso de instrumentos musicais mais ou menos rudimentares, já que a música é uma linguagem espontânea e inerente ao próprio homem, sendo provável que tenha aparecido antes da linguagem verbal.  As primeiras descobertas    Os tambores começaram a aparecer pelas escavações arqueológicas do período Neolítico. Um tambor encontrado numa escavação da Morávia, foi datado de 6000 anos antes de Cristo. Tambores têm sido encontrados na antiga Suméria com a idade de aproximadamente 3000 anos antes de Cristo. Na Mesopotâmia foram encontrados pequenos tambores (tocados tanto verticalmente quanto horizontalmente) datados de 3000 anos antes de Cristo. Tambores com peles esticadas foram descobertos dentre os artefatos Egípcios, de 4000 anos antes de Cristo.  Características dos primeiros tambores    Os primeiros tambores provavelmente consistiam em um pedaço de tronco de árvore oco (furado). Estes troncos eram cobertos nas bordas com a pele de algum réptil ou couro de peixe e eram percutidos com as mãos. Mais tarde, começou- se a usar peles mais resistentes e apareceram as primeiras baquetas. O tambor com duas peles veio mais tarde, assim como a variedade de tamanhos. Muitos métodos foram utilizados para fixar as peles. Nos tambores de uma pele eram usados pregos, grampos, cola, etc. Nos tambores de duas peles eram usadas cordas que passavam por furos feitos na própria pele e as esticava. Os tambores Europeus mais modernos geralmente prendiam a pele pela pressão de dois aros, um contra o outro e a pele no meio. O tambor na religião afro
  É necessário estabelecer uma distinção: uma coisa são os tambores Batá ditos pagãos, comprados em loja ou não, destinados apenas a fazer musica. Outra bem diferente são os tambores consagrados, sacralizados através de uma série de rituais que os transformam em instrumentos de comunicação com os deuses - tornando os tambores na morada, no assentamento do orixá Añá. Nas palavras de Fernando Ortiz, "um jogo de tambores consagrados - ilú Añá - é algo mais que um trio de tambores  imembranófonos, capaz de produzir uma maravilhosa e singular concatenação musical de ritmos tão belos quanto complexos. Nos batás-Añá há um poder divino". O passado do orixá Añá/Anya no Brasil é nebuloso. Na África os
tambores batá são próprios ao orixá Ayan, e estão associados em particular aos cultos de Xangô e Egungun. Segundo Ortiz, que nos traz informações da década de quarenta, dizem alguns que o Iyá (o tambor maior e mais grave) representa a todos os santos, em particular a Xangô. As atribuições de cada um dos ilús varia e não parecem nem tradicionais nem ortodoxas. Nos dias de hoje, segundo a excelente pesquisa de Amanda Vincent, o Iyá, divide as opiniões dos tamboreiros entrevistados entre Xangô, Osain, Yemanjá ou ainda Oxum. Estas diferenças, embora aparentemente contraditórias, devem ser vistas e entendidas como expressões de relações das características de diferentes orixás com o tambor sagrado e suas funções e propriedades sacro-mágicas. Independentemente de afinidades ou de relações baseadas em características históricas ou de propriedade, existe ainda a idéia, mais consistente e abrangente de que os três Ilús do trio batá são, em conjunto, os instrumentos do orixá Añá, que crêem alguns, seria uma qualidade de Xangô como deus dos trovões e da música. De maneira geral, no estudo das religiões afro-brasileiras, a Bahia recebeu uma atenção maior e se tornou mais conhecida, e o Atabaque das nações de kêtu, jêje e angola acabou por transformar-se no grande referencial da percussão litúrgica de origem africana. No candomblé da Bahia e do Rio de Janeiro ou na literatura dos estudos mais conhecidos feitos sobre a música do candomblé destes estados, não há referência a instrumentos ou orixá que possam ser associados aos Ilú-batá ou a Añá/Ayan. No entanto, é precisamente em diferentes estados do norte, como Pernambuco e Maranhão, e do sul, no Rio Grande do Sul, que vamos encontrar referências e instrumentos que podem sugerir algum paralelo.    Segundo o músico e pesquisador Paulo Dias, da Associação Cachuêra, os tambores encontrados no Brasil que nos remetem aos ilú-batá seriam os seguintes: O Tambor de Mina do Maranhão (inclusive da famosa Casa de Nagô) utiliza dois Abatás, de corpo cilíndrico ou troncônico, tensionados por tarrachas. No Xangô do Recife, parece que atualmente só a casa chamada "Sítio de Pai Adão", a mais antiga, é que ainda usa os três batás - com o corpo mais ou menos aproximado à forma da ampulheta e couros tensionados por cordas (é, realmente, o que temos de mais parecido aos Batás cubanos e nigerianos). Os ilús utilizados no Xangô pernambucano são também bimembranófonos, porém tocados na vertical, numa das bocas somente. No Batuque do Rio Grande do Sul, utilizam-se tambores (o instrumento é chamado simplesmente tambor) bimembranófonos com corpo cilíndrico e tensionados por cordas, podendo ser tocados na vertical ou na horizontal (geralmente nos toques lentos), quando os dois couros são golpeados. Algumas casas de religião riograndenses também utilizam um grande tambor troncônico de duas peles denominado inhã, consagrado a Aganjú ou Iansã." Paulo Dias acrescenta ainda que "os três ilús do Xangô pernambucano denominam-se melê, meleunkó e yan (o mais grave, mestre, provavelmente uma corruptela de yiá)". Os termos melê e meleunkó nos remetem diretamente não só aos batás cubanos como aos africanos. Em Cuba, omelê é utilizado como sinônimo de itótele, enquanto que na África - Nigéria e Benin - não só encontramos o mesmo termo, omele, como também omele-akó (embora inicialmente os batás fossem apenas três na África -iyáalú, omele e kúdi - com o passar do tempo foram incorporados um segundo e terceiro tambores - omele-abo e omele ako. Hoje também é possível encontrar-se conjuntos que apresentem também um tambor chamado de omele-méta, que consiste em verdade de três kúdis presos um ao outro). Quanto ao fato de yán em Pernambuco, ou o inhã do Rio Grande do Sul serem corruptelas de iyá, é possível e provável. Mas também me ocorre - embora mais improvável, mas como especulação - que tanto yán quanto inhã, possam revelar uma associação com o vocábulo Ayán, e por conseqüência, com o orixá.   As semelhanças entre o Batuque e o Xangô do Recife são surpreendentes, muito maiores do que com o candomblé 
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ÀYÀN - O Orisá do Tambor  As       religiões       de matrizes      africanas há       tempos       vêm       resgatando      alguns elementos    que    por ventura           ficaram           esquecidos           dos meados    do    ano    de 1830      até      o      ano atual.    Orisá    Àyàn    - Orisá       do       tambor       é       um       desses       elementos:Ogan   do   tambor,      Abatazeiros, Abatás,   batedores   de   tambor,   seja   lá   qual for   à   denominação   que   podemos   chamá- los,    mas    algo    nos    chama    a    atenção:Os Onilus      são      os      responsáveis      pelos tambores    e    é    admirável    a    preparação dessas   pessoas   especiais   para   a   liturgia das   religiões   de   matrizes   africana,   assim bem   como   os   seus   segredos.   Os   segredos dos     tambores     de     tambor     que     é     um elemento   sagrado   na   cultura   Yorubá,   com rituais     religiosos     para     sua     construção, preparação   e   iniciação   daqueles   que   irão tocá-lo.   Os   tambor   sagrados   são   tratados como    criaturas    viventes,    que    devem    ter cuidados   específicos   e   uma   variedade   de regras    para    o    seu    uso.A    força    espiritual contida    no    tambor    e    que    o    consagra    é chamado   de   " Ayan"   ou   " Ayon"   O   Orisá   do tambor.     Para     que     alguém     possa     ser iniciado   para   Ayan   e   tocar   o   tambor,   deve cumprir   rígidos   rituais   religiosos.   No   Brasil esta   tradição   praticamente   perdeu-se,   mas foi    mantida    na    Nigéria    e    Benin    a    Terra Yorubá e em Cuba. O     iniciado     recebe     a     força     espiritual necessária    para    tocar    os    tambores    de forma    correta,    para    que    estes    possam "falar"   com   os   Orisás,   chamando-os   para as    cerimônias    a    eles    dedicadas.    Ayan representa      a      expressão      sonora      das Divindades;    e    o    símbolo    do    tambor    que serve     como     depositário     dos     poderes Divinos   ,   e   ele   é   o   veículo   que   lhe   dá   a voz.   A    consagração    de   Ayan    no    tambor Batá   é   feita   por   meio   de   ritual   e   elementos litúrgicos    sagrados,    que    ficam    dentro    do tambor,   que   é   selado   hermeticamente   com as   duas   peles.   Quando   Ayan   é   fixado   no tambor   é   chamado   de   "Eleekoto".   O   ritual de   consagração   inclui   pintura   do   tambor com a assinatura de Sango. Eleekoto       é       simbolizado       ou       seja representado   por   uma   miniatura   de   tambor que   não   pode   ser   tocado,   pois   simboliza   " Ayan Diz   uma   lenda   da   divindade   ÀYÀN/ÀYON, que     Olódùmarè     (o     Deus     Supremo)     o chama    para    aprender    o    poder    de    cada Òrìşá,   para   ensinar   os   homens   a   louvá-los através   do   canto,   da   dança   e   dos   ritmos sagrados.       Na       verdade       o       próprio instrumento    -    o    tambor    -    é    considerado como   a   veste   material   de   um   espírito   e dizem   os   mitos,   que   cada   tambor   possui seu   espírito   elemental,   que   se   materializa dentro   dos   mesmos   durante   as   cerimônias para    que    o    rito    tenha    prosseguimento segundo     a     egrégora     do     templo     em questão,   de   acordo   com   o   Òrìşá   regente da casa. A    divindade    ÀYÀN/ÀYON    está    ligada    a vários     ancestrais     através     do     mito     do tambor. A   vara   Ixàn   (işan)   possui   o   mesmo fundamento          invocatório          e          de encantamento   que   a   vara   de   atori   usada nos tambores. A    origem    dos    instrumentos    musicais    é remota    e    controversa    e    sua    evolução acompanha      a      própria      história      das civilizações.   Não   há   povo   da   Antiguidade que   não   tenha   feito   uso   de   instrumentos musicais   mais   ou   menos   rudimentares,   que      a      música      é      uma      linguagem espontânea   e   inerente   ao   próprio   homem, sendo   provável   que   tenha   aparecido   antes da linguagem verbal. O   homem   pré   –   histórico   acreditava   que   a pele   de   sua   caça   esticada   em   troncos   de árvores    reproduzia    o    choro    do    animal morto.    E    foi    com    esse    sentimento    de gratidão   que   passou   a   consagrar   a   morte de   sua   caça.   Pode-se   dizer   que   esse   foi um      dos      princípios      da      manifestação religiosa     do     homem     e     a     origem     dos tambores.   O   toque   do   tambor   revela   a   arte de   conectar-se   com   a   Mãe   Terra   e   com nosso     eu     interior,     sintonizando     nosso coração   ao   coração   dela,   e   de   viajar   ao mundo    do    invisível,    constatando    nossa ancestralidade     e     todos     os     reinos     da Natureza. A    música    e    a    dança    sempre    foram    os principais             responsáveis             dessa comunicação        com        Deus.        Alguns historiadores   e   antropólogos   do   século   XX destacaram    a    idéia    de    que    a    maneira utilizada        para        se        chegar        aos conhecimentos      místicos      em      religiões primitivas    esteve    sempre    associada    ao êxtase   (o   transe)   provocado   pelo   toque   do tambor.    Esse    instrumento    seria    então    o responsável    pela    comunicação    entre    o homem      e      as      divindades      –      seres responsáveis   pelo   comando   da   Natureza em nosso planeta O     Djembe     é     possivelmente     o     mais influente    e    a    base    de    todos    os    outros tambores     africanos,     e     desde     há     pelo menos     500     anos     D.C.     é     um     tambor sagrado   utilizado   em   cerimônias   de   cura, rituais   de   passagem,   culto   aos   ancestrais e   ainda   em   danças   e   socialmente.A   origem dos    instrumentos    musicais    é    remota    e controversa   e   sua   evolução   acompanha   a própria    história    das    civilizações.    Não    povo   da   Antiguidade   que   não   tenha   feito uso    de    instrumentos    musicais    mais    ou menos   rudimentares,   já   que   a   música   é uma   linguagem   espontânea   e   inerente   ao próprio   homem,   sendo   provável   que   tenha aparecido antes da linguagem verbal. As primeiras descobertas   Os   tambores   começaram   a   aparecer   pelas escavações     arqueológicas     do     período Neolítico.    Um    tambor    encontrado    numa escavação   da   Morávia,   foi   datado   de   6000 anos   antes   de   Cristo.   Tambores   têm   sido encontrados    na    antiga    Suméria    com    a idade    de    aproximadamente    3000    anos antes    de    Cristo.    Na    Mesopotâmia    foram encontrados   pequenos   tambores   (tocados tanto                verticalmente                quanto horizontalmente)    datados    de    3000    anos antes    de    Cristo.    Tambores    com    peles esticadas    foram    descobertos    dentre    os artefatos   Egípcios,   de   4000   anos   antes   de Cristo. Características     dos     primeiros     tambores     Os     primeiros     tambores     provavelmente consistiam    em    um    pedaço    de    tronco    de árvore    oco    (furado).    Estes    troncos    eram cobertos   nas   bordas   com   a   pele   de   algum réptil   ou   couro   de   peixe   e   eram   percutidos com   as   mãos.   Mais   tarde,   começou-se   a usar   peles   mais   resistentes   e   apareceram as    primeiras    baquetas.    O    tambor    com duas   peles   veio   mais   tarde,   assim   como   a variedade   de   tamanhos.   Muitos   métodos foram   utilizados   para   fixar   as   peles.   Nos tambores     de     uma     pele     eram     usados pregos,   grampos,   cola,   etc.   Nos   tambores de   duas   peles   eram   usadas   cordas   que passavam   por   furos   feitos   na   própria   pele e   as   esticava.   Os   tambores   Europeus   mais modernos    geralmente    prendiam    a    pele pela   pressão   de   dois   aros,   um   contra   o outro    e    a    pele    no meio O tambor na religião afro  É                necessário estabelecer          uma distinção:   uma   coisa   são   os   tambores   Batá ditos   pagãos,   comprados   em   loja   ou   não, destinados   apenas   a   fazer   musica.   Outra bem       diferente       são       os       tambores consagrados,   sacralizados   através   de   uma série    de    rituais    que    os    transformam    em instrumentos     de     comunicação     com     os deuses     -     tornando     os     tambores     na morada,    no    assentamento    do    orixá   Añá. Nas   palavras   de   Fernando   Ortiz,   "um   jogo de   tambores   consagrados   -   ilú Añá   -é   algo mais       que       um       trio       de       tambores       imembranófonos,   capaz   de   produzir   uma maravilhosa      e      singular      concatenação musical     de     ritmos     tão     belos     quanto complexos.   Nos   batás-Añá   há   um   poder divino".O   passado   do   orixá   Añá/Anya   no Brasil   é   nebuloso.   Na   África   os   tambores batá   são   próprios   ao   orixá   Ayan,   e   estão associados    em    particular    aos    cultos    de Xangô e Egungun Segundo   Ortiz,   que   nos   traz   informações da   década   de   quarenta,   dizem   alguns   que o    Iyá    (o    tambor    maior    e    mais    grave) representa      a      todos      os      santos,      em particular   a   Xangô.   As   atribuições   de   cada um    dos    ilús    varia    e    não    parecem    nem tradicionais   nem   ortodoxas.   Nos   dias   de hoje,    segundo    a    excelente    pesquisa    de Amanda   Vincent,   o   Iyá,   divide   as   opiniões dos      tamboreiros      entrevistados      entre Xangô,   Osain,   Yemanjá   ou   ainda   Oxum. Estas   diferenças,   embora   aparentemente contraditórias,      devem      ser      vistas      e entendidas   como   expressões   de   relações das    características    de    diferentes    orixás com   o   tambor   sagrado   e   suas   funções   e propriedades                         sacro-mágicas. Independentemente    de    afinidades    ou    de relações     baseadas     em     características históricas   ou   de   propriedade,   existe   ainda a   idéia,   mais   consistente   e   abrangente   de que    os    três    Ilús    do    trio    batá    são,    em conjunto,    os    instrumentos    do    orixá   Añá, que   crêem   alguns,   seria   uma   qualidade   de Xangô     como     deus     dos     trovões     e     da música.   De   maneira   geral,   no   estudo   das religiões   afro-brasileiras,   a   Bahia   recebeu uma    atenção    maior    e    se    tornou    mais conhecida,   e   o   Atabaque   das   nações   de kêtu,   jêje   e   angola   acabou   por   transformar- se    no    grande    referencial    da    percussão litúrgica   de   origem   africana.   No   candomblé da    Bahia    e    do    Rio    de    Janeiro    ou    na literatura    dos    estudos    mais    conhecidos feitos     sobre     a     música     do     candomblé destes     estados,     não     há     referência     a instrumentos    ou    orixá    que    possam    ser associados aos Ilú-batá ou a Añá/Ayan No   entanto,   é   precisamente   em   diferentes estados    do    norte,    como    Pernambuco    e Maranhão,   e   do   sul,   no   Rio   Grande   do   Sul, que      vamos      encontrar      referências      e instrumentos    que    podem    sugerir    algum paralelo.                  Segundo      o      músico      e pesquisador    Paulo    Dias,    da    Associação Cachuêra,    os    tambores    encontrados    no Brasil     que     nos     remetem     aos     ilú-batá seriam os seguintes: O   Tambor   de   Mina   do   Maranhão   (inclusive da    famosa    Casa    de    Nagô)    utiliza    dois Abatás,   de   corpo   cilíndrico   ou   troncônico, tensionados   por   tarrachas.   No   Xangô   do Recife,   parece   que   atualmente   só   a   casa chamada    "Sítio    de    Pai    Adão",    a    mais antiga,   é   que   ainda   usa   os   três   batás   - com   o   corpo   mais   ou   menos   aproximado   à forma   da   ampulheta   e   couros   tensionados por   cordas   (é,   realmente,   o   que   temos   de mais     parecido     aos     Batás     cubanos     e nigerianos).    Os    ilús    utilizados    no    Xangô pernambucano               são               também bimembranófonos,      porém      tocados      na vertical,    numa    das    bocas    somente.    No Batuque   do   Rio   Grande   do   Sul,   utilizam-se tambores     (o     instrumento     é     chamado simplesmente    tambor)    bimembranófonos com    corpo    cilíndrico    e    tensionados    por cordas,   podendo   ser   tocados   na   vertical   ou na     horizontal     (geralmente     nos     toques lentos),     quando     os     dois     couros     são golpeados.    Algumas     casas     de     religião riograndenses   também   utilizam   um   grande tambor       troncônico       de       duas       peles denominado   inhã,   consagrado   a Aganjú   ou Iansã. Paulo   Dias   acrescenta   ainda   que   "os   três ilús   do   Xangô   pernambucano   denominam- se   melê,   meleunkó   e   yan   (o   mais   grave, mestre,   provavelmente   uma   corruptela   de yiá)".    Os    termos    melê    e    meleunkó    nos remetem    diretamente    não    só    aos    batás cubanos    como    aos    africanos.    Em    Cuba, omelê   é   utilizado   como   sinônimo   de   itótele, enquanto   que   na   África   -   Nigéria   e   Benin   - não    só    encontramos    o    mesmo    termo, omele,   como   também   omele-akó   (embora inicialmente   os   batás   fossem   apenas   três na   África   -iyáalú,   omele   e   kúdi   -   com   o passar   do   tempo   foram   incorporados   um segundo   e   terceiro   tambores   -   omele-abo e    omele    ako.    Hoje    também    é    possível encontrar-se    conjuntos    que    apresentem também   um   tambor   chamado   de   omele- méta,    que    consiste    em    verdade    de    três kúdis   presos   um   ao   outro).   Quanto   ao   fato de   yán   em   Pernambuco,   ou   o   inhã   do   Rio Grande   do   Sul   serem   corruptelas   de   iyá,   é possível    e    provável.    Mas    também    me ocorre    -    embora    mais    improvável,    mas como   especulação   -   que   tanto   yán   quanto inhã,   possam   revelar   uma   associação   com o   vocábulo Ayán,   e   por   conseqüência,   com o   orixá.      As   semelhanças   entre   o   Batuque e   o   Xangô   do   Recife   são   surpreendentes, muito maiores do que com o candomblé