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Ogan e Ekedi O   titulo   Ogan   e   Ekedi   são   cargos,      portanto   podem      ser dados quando o iniciado tiver três anos ou mais.    Nesse   sentido,   não   há   óbices   religiosos   fundamentados que   interditem   um   Ìyàwó   homem   que   não   manifeste   Òrìsà, em tocar atabaques. Acreditar   que   um   Ìyàwó   Raspado   que   não   é   manifestado   por Òrìsà   não   pode   ser   confirmado   como      Ogan   ou   apresentado como     Ekedi     em     grande     parte,     deve-se     aos     próprios sacerdotes, vejamos: O indivíduo que entra em uma Casa de Candomblé, antes mesmo de ser suspenso, confirmado,    ou    iniciado,    mas    que    não    é    manifestado    por    Òrìsà    é    chamado    pelo sacerdote    como?    Quando    uma    pessoa    adentra    oficialmente    na    religião,        ele    for raspado e adoxado, ele está sendo iniciado como Ìyàwó. Esse Ìyàwò que não manifesta Orisà e que toca atabaque recebe o cargo de Oloyé. Ante   a   afirmativa   acima;   o   que   seria   o   Ogan   ou   Ekedi?   À   luz   do   Candomblé Tradicional Baiano,   Ogan   é   o   indivíduo   (Homem)   que   não   é   manifestado   por   Òrìsà,   mas   que   é CONFIRMADO   (E   NÃO   INICIADO)   ou   ekedi   é APRESENTADA. A   princípio,   esse   Ogan ou   Ekedy,   em   suma,   é   “apontado”   (escolhido)   por   um   Òrìsà   em   alguma   determinada festa,   ou   mesmo   função   dentro   do   Ilé   Òrìsà.   Na   ocasião,   esse   Ogan   é   “suspenso”,   a Ekedy            é      apresentada      por      outros(as)      desta      confraria.Posteriormente,      a Ìyálòrìsà/Babalòrìsà,   determinará   que   esse   Ogan   (suspenso),   deverá   ser   Confirmado (leia-se   confirmado   e   não   iniciado)   –   geralmente   para   o   Òrìsà   que   o   suspendeu.   Daí   a razão   de   na   Bahia,   por   exemplo,   um   Ogan   ser   do   Òrìsà   Ògún   (ele   é   filho   de   Ògún), mas   ser   chamado   de   Ogan   de   Omolu   (pois,   muito   embora   o   Òrìsà   dele   ser   Ògún,   ele fora   suspenso   e,   posteriormente   confirmado   para   ser   Ogan   do   Omolu   de   “beltrana”).   O processo    de    Confirmação    de    um    Ogan    diverge    demasiadamente    do    processo    de iniciação (Ìyàwó). A   ekedi   na   maioria   das   casas   também   é   chamada   de   mãe, exerce   a   função   de   dama   de   honra   do   Orixá   regente   da casa.   É   dela   a   função   de   zelar,   acompanhar,   dançar,   cuidar das    roupas    e    apetrechos    do    Orixá    da    casa,    além    dos demais   Orixás,   dos   filhos   e   até   mesmo   dos   visitantes.   É uma   espécie   de   “camareira”   que   atua   sempre   ao   lado   do Orixá    e    que    também    cuida    dos    objetos    pessoais    do babalorixá     ou     iyalorixá.     O     cargo     de     ekedi     é     muito importante,   pois   será   ela   a   condutora   dos   Orixás   incorporados   no   Egbê   (barracão   ou sala    de    festividades)    e    dela    é    a    responsabilidade    de    recolhê-los    e    “desvirá-los”, observando   as   condições   físicas   daqueles   que   “desviraram”.   Para   se   tornar   uma   ekedi, ela   primeiramente   é   apresentada   e   não   suspensa   como   o   Ogan,   e   logo   depois   será confirmada, com as obrigações de Roncó. logo depois será confirmada, com as obrigações de Roncó. Não   vou   aprofundar   no   tema,   por   tratar-se   de Awo   (segredo   que   não   compete   àqueles que   não   são   iniciados).   Mas   quando   um   Ogan   e   confirmado   ou   quando   uma   Ekedy   e apresentada, há um conjunto de cânticos e rituais específicos. Quando   pensamos   em   iniciação   no   culto   aos   Òrìsàs   na   África,   não   são   encontrados indícios/relatos   de   alguma   iniciação   com   o   “modus”   da   Confirmação   de   Ogan   no   Brasil ou   da   apresentação   da   Ekedy.   Em   verdade,   esse   tema   é   muito   mais   polêmico   que parece.   Quando   pensamos   em   Confirmação   de   Ogan   ou   apresentação   da   Ekedy   no Brasil,   temos   que   entender   que   esse   indivíduo   não   está   sendo   iniciado   em   todas   as etapas   que   a   religião   apregoa,   dessa   forma,   jamais   o   Ogan   ou   Ekedy   poderá   proceder a   iniciação   de   um   Ìyáwó.   Mas   se   um   Ogan   não   passa   por   todas   as   etapas   de   iniciação como   pode   ele   receber      o   cargo   de   Asogun?   sendo   que   este   e   um   importantíssimo cargo   pois   um   Asogun   tem   a   responsabilidade   de   realizar   todos   os   Oros   da   casa inclusive   para   os   Orisas   do   Baba   ou   Yia,   como   uma   Ekedi   que   não   passa   por   todas   as etapas   pode   entrar   em   um   quarto   de   santo   para   auxiliar   o   baba   ou   a   yia   ou   mesmo auxiliar na desencorporação dos mesmos e dos yawos? Por   isso   afirmo   contrariando   a   tradição   do   Candomblé   que   todos   Ogans   e   Ekedys devem   passar   por   todo   ritual   iniciático   até   mesmo   para   assim   serem   reconhecidos pelos   Orisas,   pois   no   culto   tradicional   Yoruba   só   é   um   elegun   um   iniciado   no   Orisa quem passa por todos os rituais. Desta   forma,   observa-se   que   esse   erro   comum,   decorre   do   processo   de   aprendizagem do   noviço   na   religião.   No   exemplo   supracitado,   o   correto,   independente   de   manifestar ou   não,   o   noviço   (a)   deverá   ser   considerado   “Abiyan”.   O   fato   do Abiyan   não   manifestar Òrìsà,   a   priori   não   lhe   concede   a   posição   de   Ogan   ou   Ekedy.   Esse   “status   quo”, depende   de   vários   fatores   que   ao   longo   do   conviveu   na   casa   alguns   anos   de   iniciado, características   e   apontamento   dos   Orisas   ou   definido   pelo   jogo   de   búzios.Mas   se   na África,   berço   da   cultura   dos   Òrìsàs   não   há   esse   processo,   qual   teria   sido   a   razão   do aparecimento   deste   no   Brasil?   Vejo   como   um   fato   histórico,   liderado   pelas   Ìyálòrìsàs   de outrora,   à   busca   da   manutenção   da   hegemonia   da   mulher   nos   cargos   de   liderança   nas comunidades Nágò. Quando   da   fundação   das   mais   tradicionais   Casas   de   Candomblé   da   Bahia,   todas,   sem exceção,    tiveram    o    apoio    religioso    de    homens    (iniciados    –    porém    não    rodantes), exemplifico:    Gbongbose    Obitiko,    Okarinde,    Oje    Lade,    Oba    Sanya,    dentre    outros. Entretanto,   após   a   fundação   dessas   casas,   para   que   não   houvesse   a   concorrência masculina   no   sacerdócio,   as   Ìyálòrìsàs   começaram   a   não   iniciar   homens   (quer   seja rodante,   quer   não).   Contudo,   a   figura   masculina   permanecia   essencial   para   o   bom andamento   da   casa.   Nesse   sentido,   como   manter   o   homem   na   casa   de   Candomblé, com    funções    distintas,    sem    que    esse    se    tornar-se    Sacerdote    futuramente    e,    por conseqüência,   concorrente   do   poder   supra-sumo   da   mulher?   Criando   a   figura   do   Ogan (ou   seja,   realizando   alguns   rituais   para   que   os   homens   não   rodantes   –   pudessem   ser partícipes de algumas atividades na casa). Nessa   busca   contumaz,   as   mulheres   do   Candomblé   da   Bahia,   cercearam   da   religião os   homens   rodantes   (uma   espécie   de   apartheid),   configurando   status   e   poder   aos Ogans,   figura   criada   pelas   mesmas,   -   mas   que   não   lhe   ameaçavam   na   supremacia   do Candomblé.   À   eles   eram   concedidas   funções   como   Tocar   Atabaques   e   Cantar.   Razão pela qual, erroneamente, crê-se que somente os Ogans podem tocar atabaques. AJOIÉ E EKEDI A   palavra   "ajoié"   é   correspondente   feminino   de   ogan   pois,   a   palavra   ekedi,   ou   ekejí, vem do dialeto ewe, falado pelos negros fons ou Jeje. Portanto,   o   correspondente   yorubá   de   ekedi   é   ajoié,   onde   a   palavra   ajoié   significa   "   a que o orixá escolheu e confirmou". Assim   como   os   demais   oloyés,   uma   ajoié   tem   o   direito   a   uma   cadeira   no   barracão. Deve   ser   sempre   chamada   de   ,   por   todos   os   componentes   da   casa   de   orixá,   devendo- se   trocar   com   ela   pedidos   de   bençãos.   Os   comportamentos   determinados   para   os ogans devem ser seguidos pelas ajoiés. Em   dias   de   festa,   uma   ajoié   deverá   vestir-se   com   seus   trajes   rituais,   seus   fios   de contas,   um   ojá   na   cabeça   e   trazendo   no   ombro   sua   inseparável   toalha,   sua   principal ferramenta de trabalho no barracão e também símbolo do óyé, ou cargo que ocupa. A   toalha   de   uma   ajoié   destina-se,   entre   outras   coisas,   a   enxugar   o   rosto   dos   omo- orixás   manifestados.   Uma   ajoié   ainda   é   responsável   pela   arrumação   e   organização   das roupas   que   vestirão   os   omo-orixás   nos   dias   de   festas,   como   também,   pelos   ojás   que enfeitarão várias partes do barracão nestes dias. No   entanto,   é   importante   que   todos   saibam   que   todos   os   cargos   são   distintos,   com funções distintas mas com o mesmo grau de importância!