BRUXO REGINALDO
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INICIAÇÃO Conhecer   a   si   mesmo:   pressuposto   básico   para   a   realização pessoal   em   todos   os   níveis.   Desde   sua   origem,   o   ser   humano anseia   pelo   encontro   com   o   Infinito.   Essa   busca   incansável frequentemente     provoca     verdadeiras     batalhas     que     são travadas     no     interior     do     indivíduo,     acompanhadas     por sentimentos    de    angústia,    ansiedade,    inconformismo    ou    até mesmo     de     desespero     face     ao     desconhecido     ou     ao irremediável:   as   fatalidades   e   incertezas   do   amanhã,      ciclo   da vida, a morte. Uma   pessoa   com   mediunidade   tem   nisso   um   peso   ancestral, nós    somos    a    soma    da    consciência    dos    nossos    ancestrais, carregamos   no   nosso   DNA   a   memoria   ancestral,   e   com   isso   a   suas   heranças,   dividas, sofrimento,   alegria   e   sabedoria   e   até   mesmo   suas   personalidades,   o   que   defende   está tese   e   o   fato   de   sermos   parecidos   com   nossos   pais   e   avós   e   eles   foram   parecidos   com seu   pais   e   avós   ou   seja   nós   somos   parecidos   com   nossos   longínquos   ancestrais   os Orixas. Esta   ancestralidade   e   carregada   de   responsabilidades,   contigo   e   com   os   seus,   tudo   o que você faz será herdado por seus descendentes indubitavelmente. A   mediunidade   e      escolhida   por   algumas   pessoas   no   Orum   antes   de   reencarnar,   para poder   pagar   suas   dividas   karmicas   e   alcançar   um   nível   maior   de   evolução   através   de aprendizados,   autoconhecimento,   o   sacerdócio   e   ajudando   outras   pessoas   a   também evoluírem,    pois    estamos    todos    interligados,    ou    seja,    apenas    com    uma    sociedade evoluindo é que também evoluímos. A   iniciação   do   Orisa   se   faz   necessária   pelo   fato   que   sozinhos   somos   fracos   e   indefesos as   forças   maléficas   e   á   pessoas   de   má   índole,   então   ao   iniciarmos   no   Orisa   passamos a   nos   conectarmos   com   nossos   ancestrais   e   suas   energias,   assim   ficamos   bem   mais fortes   espiritualmente   e   passamos   a   contar   com   a   proteção,   ajuda   e   ensinamentos daquele Orisa. Quando   uma   pessoa   assume   no   Orun   a   missão   mediúnica   e   a   de   cumprir   seu   Karma mais   ao   reencarnar   não   a   cumpre   por   diversos   motivos   ela   se   torna   vulnerável   e suscetível   a   energias   negativas   que   irão   tirá-la   do   seu   destino   lhe   causando   sofrimento, doenças,   dissabores   amorosos,   infertilidade,   maus   negócios,   solidão,   ou   seja,   todo   tipo de malefícios. Nós    do    Candomblé    não    acreditamos    no    sofrimento    e    na    caridade    como    forma    de evolução   espiritual,   pois   não   somos   criados   para   sofrer   e   sim   aprender   e   evoluir   são conceitos   diferentes,   o   sofrimento   e   causado   ou   por   algum   erro   que   você   cometeu,   ou por   alguma   divida   com   ancestrais,   ou   por   forças   externas   (feitiço   ou   espíritos   obsessor) nunca impostas por seu Orisa, ou seu Ori ou Olodumaré. Todo   o   processo   de   Iniciação   se   destina   à   criação   de   ambiente   propício   a   tão   sonhada evolução   e   encontro   as   respostas.   A   história   da   humanidade   espelha   essa   incansável busca   de   respostas   aos   enigmas   da   vida:   Quem   sou   eu?   De   onde   venho?   Para   onde vou?   A   felicidade   é   perseguida   por   todos,   sendo   muitas   vezes   um   desejo   alimentado pela   incerteza.   E   o   ser   humano   continua   a   colocar   a   própria   felicidade   longe   de   si mesmo,     em     circunstâncias     exteriores:     dinheiro,     posição,     poder,     fama,     ou     na dependência   de   outras   pessoas:   “Se   ele   –   ou   ela   –   me   amar,   serei   feliz”.   Há   milhares   de anos,   o   nativo   do   continente   africano   já   tinha   os   mesmos   anseios:   conhecer   o   seu Deus,   os   mistérios   do   Universo,   a   origem   da   Vida.   Olodumarê   (o   Criador),   em   sua Graça   e   Poder   infinitos,   permitiu-lhes   conhecer   a   sabedoria   do   IFA   (a   revelação):   a Criação   do   Universo   e   dos   seres   humanos,   os   princípios   que   regulam   as   relações   entre Ilú   Aiyé   (a   Terra)   o   Orún   (mundo   espiritual)   e   o   conhecimento   dos   Orixás,   divindades intermediárias entre Deus (Olodumarê) e os homens. Desenvolveram-se    rituais    iniciáticos    para    os    mistérios    dos    Orixás,    como    forma    de realizar   o   sagrado   em   si   mesmo,   ou   seja,   permitir   que   o   Deus   Interior,   na   figura   de   um ancestral   divino,   desperte   em   cada   indivíduo   e   estabeleça   a   ponte   com   o   Cosmos,   tão necessária    à    realização    pessoal,    tornando-o    assim    capaz    de    fazer    escolhas    mais acertadas   e   consequentes   em   relação   à   vida   e   aos   semelhantes,   na   construção   da própria   felicidade.   A   compreensão   clara   de   que   o   destino   é   uma   possibilidade   e   não uma   fatalidade   é   a   base   dessa   realização.   O   conhecimento   das   forças   que   regem   o Universo   e   a   Vida   nas   suas   mais   variadas   formas   e   meios   de   manifestação,   bem   como dos   princípios   que   regulam   essa   interação   é   o   caminho   da   Iniciação.   Depois   da   primeira parte   deste   tema,   continuo   agora   com   um   pouco   mais   de   informação   sobre   a   Iniciação no Candomblé. Brevemente,   ainda   voltando   a   este   tema   irei   expor   alguns   detalhes   importantes   que completarão   esta   informação,   e   que   certamente   propiciarão   um   conhecimento   mais profundo   deste   momento   tão   importante   na   vida   de   cada   um   que   decide   abraçar   o Candomblé como sua Religião. Uma   iniciação   serve   para   proporcionar   ao   iniciado   uma   consciência   maior   de   si   e   do mundo.   Iniciar   é   nada   mais,   nada   menos   do   que   despertar   o   poder,   que   habita   o   seu interior.   Despertar   esse   poder,   para   favorecer   a   compreensão   de   si   e   das   coisas   a   sua volta.   O   fim   dos   problemas,   das   limitações   e/ou   das   dificuldades   ocorrem   a   partir   do momento   que   este   poder   é   despertado,   trabalhado   e   cultivado   dia   após   dias.   É   essa compreensão   de   quem   somos   e   do   que   podemos   fazer   nesse   mundo,   que   possibilita   a gente   mergulhar   com   mais   profundidade   sobre   nós   mesmos   e   as   coisas   a   nossa   volta.A iniciação   torna   possível   uma   renuncia   ao   que   é   velho   em   nós,   nos   dá   forças   para fazermos   escolhas   saudáveis   frente   a   vida.   É   essa   expansão   da   consciência   que   torna propicio   o   encontro   com   a   sabedoria   e   a   prática   do   bom   caráter.   É   essa   dedicação cotidiana ao orixá, que torna possível a materialização dos nossos desejos reais. A   iniciação   deve   contribuir,   sobretudo   para   um   realinhamento   da   própria   vida,   para   o encontro   verdadeiro   com   aquilo   que   somos.   Essas   mudanças   devem   ser   interna   e externa,    afinal,    é    o    despertar    desse    poder,    que    possibilitará    o    enfrentamento    e    a eliminação   dos   problemas   do   dia-a-dia. A   crença   de   que   as   forças   de   luz   e   de   escuridão se   interagem   permitindo   o   equilíbrio,   torna   possível   o   entendimento   de   qual   é   o   lugar dessa   energia. A   expansão   da   mesma   no   universo   em   nossa   volta,   é   quem   transforma   e ocasiona o acontecimento daquilo que desejamos. Fazer santo: Quem, Quando e Como? O   momento   do   “chamado”   é   diferente   para   cada   pessoa.   Para   alguns,   uma   doença difícil   de   ser   curada,   para   outros,   as   dificuldades   do   próprio   caminho;   outros   ainda buscam    fugir    às    religiões    tradicionais    por    concluírem    que    muitas    delas    estão    tão voltadas   para   o   dia   a   dia   dos   homens   e   para   os   seus   interesses   imediatos   que   acabam por   fugir   à   sua   real   finalidade:   promover   o   encontro   do   ser   com   os   seus   ancestrais   e   a Divindade   ampará-lo   em   suas   dificuldades   espirituais   e   consequentemente,   também   os materiais. Alguns   ainda   são   provenientes   de   outras   religiões   ou   filosofias   espiritualistas; finalmente,   existem   aqueles   que   simplesmente   são   tocados   pelo   Orisá,   fundo   na   própria alma. A   iniciação   (feitura)   propriamente   dita   acontece   num   período   de reclusão   que   varia   entre   sete   a   dezessete   dias   (embora   alguns lugares    adotem    21).    Essa    reclusão    (recolhimento)    ocorre    nos Templos   Religiosos   conhecidos   como   Casas   de   Candomblé,   em aposentos   próprios   para   tal   finalidade   chamados   de   (Ronco).   Esse período    é    comparável    à    gestação    na    barriga    da    mãe;    nesse aspecto,   o   aposento   sagrado   representa   o   ventre   da   própria   mãe natureza.   O   neófito   aprende   os   mistérios   básicos   das   divindades   e da   Criação;   os   costumes   da   comunidade   e   os   princípios   que   regulam   as   relações   da família   religiosa   (hierarquia   sacerdotal);   as   formas   adequadas   de   comportamento   nas cerimônias   públicas   e   restritas.   Conhecimentos   acerca   de   seu   próprio   Orixá   são-lhe ministrados:   a   maneira   adequada   de   cultuá-lo,   as   suas   proibições   (ewò),   as   virtudes que   deverão   ser   cultivadas   e   os   vícios   que   deverão   ser   evitados   para   atrair   influências benéficas e uma relação harmoniosa com a divindade pessoal. O que pode mudar na vida do Iniciado? O   Destino   é   dado   a   cada   ser   na   forma   de   possibilidade,   nunca   como   fatalidade.   Desse modo,   quem   antes   de   voltar   ao   mundo   escolheu,   por   exemplo,   ser   médico,   ao   renascer na   Terra   encontrará   no   seu   caminho   situações   que   o   direcionem   para   essa   profissão. Entretanto,   isto   não   quer   dizer   que   necessariamente   venha   a   exercer   a   medicina.   Ele pode   a   qualquer   tempo   mudar   os   rumos   da   própria   vida   através   do   exercício   do   livre- arbítrio   (o   que,   aliás,   é   um   conceito   universal).   Cada   qual   constrói   a   própria   história. Ocorre     muitas     vezes     à     pessoa     acabar     por     fazer     escolhas     erradas     e     sofrer consequências   desastrosas.   Pode   ser   fruto   de   um   destino   “negativo”,   que   exigirá   tempo e   determinação   para   ser   superado.   A   dor   transforma-se   em   companheira   constante. Liga-se   a   tudo   isso   os   problemas   do   dia   a   dia   (para   não   mencionar   a   situação   difícil   da sociedade   contemporânea);   o   conjunto   destes   fatores   acaba   por   provocar   sentimentos de   impotência   frente   aos   obstáculos   e   encruzilhadas   da   vida,   ou   simplesmente   solidão, carência   de   carinho,   de   orientação,   de   coragem.   Carência   de   fé.   O   Orixá   pessoal,   nesse particular,    pode    influenciar    em    muito,    prevenindo    ou    mesmo    remediando    estas situações,   conferindo   força   e   equilíbrio   ao   seu   tutelado,   restaurando   lhe   as   energias, estendendo-lhe proteção e orientando-o quanto ao melhor caminho a seguir. Mas   o   indivíduo   deve   permitir   que   o   Orisá   atue   de   modo   construtivo   na   sua   própria   vida. O   Orisá   não   representa   problemas   no   caminho   de   ninguém   –   pode   significar   a   solução. Através    do    seu    apoio    divino    o    ser    humano    pode    criar    condições    para    vencer    as barreiras internas e externas para a construção de um futuro melhor. A   primeira   fase   da   iniciação   ou   feitura   de   santo   na   nação   Ketu   é   de   ate   21   dias,   onde   a pessoa   fica   em   retiro   longe   da   vida   profana   e   da   família,   devendo   desligar-se   de   tudo   e dedicar-se   totalmente   aos   ritos   de   passagem.   Saliente-se   que   todo   o   ritual   da   iniciação não   é   público.   Saliente-se   também   que   essa   iniciação   só   pode   ser   feita   por   uma   pessoa iniciada,   segundo   as   normas   do   candomblé   só   pode   transmitir   o   Axé   quem   os   recebeu de alguém iniciado na obrigação de Odu ijè. Quanto   ao   fato   da   pessoa   ser   recolhida   para   ser   Yawo,   Ogan   ou   Ekedyi,   essa   questão só   é   resolvida   durante   a   iniciação.   Se   a   pessoa   entrar   em   transe   será   um Yawo,   Elegun, se não entrar em transe e for homem, será um Ogan, se for mulher será uma Ekedi. Nos   3   primeiros   dias   a   pessoa   ficará   descansando   e   fazendo   os   ebós   de   limpeza,   que serão   apurados   no   jogo   de   búzios   e   tomando   banhos   com   folhas   sagradas   e   abô. Ficará   recolhida   no   Roncó   (quarto   específico   de   recolhimento)   e   será   feita   a   primeira obrigação,   que   é   o   bori.   No   final   dos   2   dias   é   suspenso   o   bori   e   passa   para   as   fases seguintes. Em   seguida   começa   a   contar   o   período   de   16   dias.   Aí   tem   início   o   longo   aprendizado das   rezas,   costumes,   práticas,   lendas,   histórias   e   a   iniciação   propriamente   dita,   que consiste   em   raspar   a   cabeça,   fazer   curas   (pequenos   cortes),   assentamento   do   orixá, serão oferecidos animais, comida ritual, flores e frutas. A   iniciação   pode   ser   de   apenas   um   Yawo   ou   pode   ser   de   muitos.   Nesse   caso   recebe   o nome   de   "Barco   de   Yawo".   Quando   entra   para   fazer   o   santo   sozinho   será   chamado   de Dofono (homem) ou Dofona (mulher), por ser o primeiro e único. No   caso   do   barco,   o   primeiro Yiawo   será   chamado   de   Dofono,   o   segundo   Dofonitinho,   o terceiro   será   chamado   de   Fomo,   o   quarto   de   Fomutinho,   o   quinto   de   Gamo,   o   sexto   de Gamutinho,   o   sétimo   de   Vimo,   o   oitavo   de   Vimutinho,   o   nono   de   Gremo,   o   decimo   de Gremutinho,   o   décimo   primeiro   de   Caçula   e   daí   por   diante.   Essa   sequência   de   nomes   é usada na maioria das casas de candomblé de cultura Jeje-nagô. No   final   tem   a   festa   que   é   chamada   de   "saída   de   Yawo",   essa   festa   é   dividida   em   4 partes:   A   primeira   saída   no   barracão   é   interna   sem   a   presença   do   público,   somente   os membros   da   casa   estarão   presentes.   Pode   ter   variação   de   uma   casa   para   outra   ou   de nação para nação, uns fazem três saídas públicas outros fazem quatro. Inicia-se    o    candomblé    normalmente    despachando    o    Padê    (pode    ser    despachado durante   o   dia   também,   depende   da   casa)   e   cantam-se   algumas   cantigas   para   cada   um dos   Orixás,   enquanto   isso   os   Yawos   estão   sendo   preparados   para   a   primeira   saída   no barracão de festas. Na   primeira   saída   pública   o   Yawo   sai   do   roncó   (nome   dado   ao   quarto   onde   ficam recolhidos)   para   o   barracão   todo   vestido   de   branco,   essa   saída   é   em   homenagem   a Oxalá,   trás   na   testa   uma   pena   vermelha   chamada   Ekodidé   e   na   parte   superior   da cabeça   o   adoxu   e   pintado   com   efun,   ele   vem   acompanhado   de   sua   mãe   pequena,   da Iyalorixá   e   todos   que   ajudaram   na   feitura.   Nessa   saída   o   Iaô   deverá   saudar   a   porta,   os atabaques   o Axé   do   centro   do   barracão   onde   estar   o   fundamento   da   casa   e   a   Iyalorixá. Em seguida é recolhido para mudar de roupa A   segunda   saída   pública   do   Yawo   no   barracão   as   roupas   são   coloridas   em   homenagem à   todos   os   orixás   e   a   pintura   é   feita   com   o   pó   azul   wáji,   branco   efun,   e   vermelho   osùn.   O Yawo   sendo   de   oxalá   ou   determinados   orixás   funfuns   a   roupa   não   pode   ser   colorida, predominando    o    branco,    todavia    a    pintura    colorida    seja    relevante    em    quantidade discreta. A   terceira   saída   do   Yawo   é   a   mais   esperada   por   todos   da   comunidade,   com   o   grito triunfal   do   seu   nome.   Onde   há   uma   confusão   em   muitas   casas   pois   acreditasse   que   o Orunko   e   do   Orisa   o   que   está   errado   pois   quem   esta   renascendo   e   por   isso   deve receber   um   novo   nome   e   o Yawo   e   não   o   Orisa.   Novamente   o Yawo   é   trazido   ao   ile   axé, desta   vez   sem   a   pintura   geral,   só   com   uma   pintura   de   wáji   no   centro   da   cabeça   (cuia   de Wáji)   ou   borilé   (ritual   feito   com   ejé   do   pombo   branco)   e   ornado   com   penas   do   mesmo.   O Orixá    dirá    o    Orunkó    para    todos    ouvirem,    nesse    caso    é    escolhida    uma    pessoa (normalmente   um   Babalorixá   ou   Iyalorixá   de   outra   casa)   presente   para   tomar   o   nome   do Orixá,   são   feitas   algumas   cerimônias   onde   a   pessoa   pergunta   por   três   vezes   o   nome   do Orixá   e   na   terceira   ele   grita   em   voz   alta   seu   Orunkó   para   todos   ouvirem.   Depois   do nome dado o Yawo é recolhido novamente para trocar a roupa. A   quarta   e   última   saída   o   Orixá   vem   todo   paramentado   com   roupas   e   ferramentas características   do   Orixá,   para   dançar   e   ser   homenageado   por   todos   os   presentes.   No final canta-se para Oxalá e a festa é encerrada. Seguimento da iniciação chamado Urupim No    mesmo    dia    ou    não,    dependendo    do    costume    da    casa,    as    luzes    elétricas    são desligadas,   e   inúmeras   velas   são   acesas,   ouve-se   um   cântico   tristonho   como   nos   rituais fúnebres   axexê,   o Yawo   cercado   dos   mais   velhos,   Iyaefun,   Iyadagan,   iyamorô,   Iyabassê Iyakekerê   e   puxada   pelo   Babalorixá   ou   Iyalorixá   é   trazido   do   Ronco   ao   ile   axé   com   um alguidá   ou   balaio   coberto   com   pano   branco   e   ornado   com   flores   brancas   e   mariwô, contendo   inúmeros   objetos,   comida   ritual   e   o   cabelo   raspado   no   inicio   da   obrigação. Este   ritual   é   denominado   pelo   povo   do   santo   de   carrego   de   urupim   e   pode   ser   assistido por   alguns   membros   da   comunidade,   mas   não   chega   a   ser   uma   festa   pública,   fechando um   ciclo   do   rito   de   passagem   de   abiã   "não   nascido"   para   Yawo   /   Elegun   "noviço   ou recém nascido". Passada   a   festa   o   Yawo   ficará   mais   uns   dias   na   roça   dependendo   da   confirmação   no merindilogun,   depois   será   levado   para   sua   casa   pela   Iyalorixá   /   Babaloorixa   que   a entregará a sua família. Ritual do Panã O   Yawo   ainda   desorientado   devido   ao   longo   período   de   transe   e   clausura,   com   os movimentos   ainda   trôpegos,   recebe   orientação   do   seu   Babalorixa   ou   Yalorixa   para executar   as   tarefas   que   serão   usadas   em   seu   dia   a   dia,   tais   como   varrer,   costurar,   lavar, passar,   sentar-se   à   mesa,   cozinhar,   etc.   Numa   dramatização   muito   divertida   onde   todo da   comunidade   tem   um   grande   prazer   de   participar,   rindo   e   até   mesmo   ajudando   o   novo iniciado.   O   ritual   de   apanã   tem   a   finalidade   de   fazer   com   que   o   noviço   reaprenda   as atividades   do   mundo   profano   e   cotidiano,   para   que   nada   lhe   seja   prejudicial   no   futuro   e também   entenda   que   já   é   hora   de   voltar   à   sua   vida   normal,   apesar   de   aproveitar   mais um   pequeno   período   do   seu   mundo   sobrenatural,   estabelecendo   neste   momento   o   ewo temporário    ou    permanente,    que    o    noviço    terá    a    responsabilidade    de    obedecer, finalizando   este   ritual   com   outro   rito   chamado   Kàrô   (juramento   feito   diante   do   obi   e   uma quartinha). Caída de kelê Após   o   Yawo/   Elegun   ter   cumprido   o   seu   resguardo   normalmente   de   21   dias   a   três meses   com   o      kelê   (uma   gargantilha   de   contas)   que   foi   colocada   em   seu   pescoço   no início   da   feitura   de   santo.   Durante   esse   período   o   Yawo   continuará   dormindo   numa esteira,   usará   roupas   brancas   e   seguir   uma   série   de   restrições   denominada   de   ewo. Terminado o período de Kelê, é feita a retirada do mesmo.    É   o   período   mais   difícil   para   o Yawo   que   precisa   voltar   a   trabalhar,   muitos   se   iniciam   no período   de   férias   do   trabalho   e   quando   termina   as   férias   precisam   voltar   para   um ambiente   onde   sem   dúvida   será   notado   por   todos,   discriminado   por   alguns   e   terá   que se   manter   calado,   terá   muitos   problemas   na   hora   das   refeições,   pois   está   proibido   de entrar   em   bares   e   restaurantes,   terá   que   levar   uma   marmita   e   aceitar   os   olhares   de curiosidade. Algumas   casas   atualmente   por   esse   motivo   têm   feito   alguns   acordos   com   os   Orixás para   que   o Yawo   que   precisa   trabalhar   já   saia   da   roça   sem   o   kelê,   mas   terá   que   cumprir todos   os   itens   do   resguardo   nos   mínimos   detalhes.   Nesse   caso   não   precisará   usar somente   branco,   poderá   usar   roupas   de   cores   bem   claras   como   azul,   rosa,   bege,   cinza, tudo   para   não   chamar   muito   a   atenção.   Existem   casos   de   firmas   que   o   uniforme   é   preto, marrom,   azul   marinho,   nesses   casos   o   Orixá   permite,   não   vai   querer   que   seu   filho   perca o emprego. Obrigações: Iyawo   são   os   novos   iniciados   de   Orixá   da   Casa   de   Candomblé,   durante   o   período   de sete   anos,   e   serão   subordinados   pelas   pessoas   de   Cargos/Posto   da   casa.   E   deve obediência   aos   seus   mais   velhos.   E   deverão   concluir   suas   obrigações   de   1,   3   e   7   anos. Ser   Iyawo,   além   de   outros   preceitos,   passando   por   doutrinas   e   fundamentos,   para conceber   a   força   do   Orixá.   Saem   da   vida   material   e   nascem   na   vida   espiritual   com   um novo   nome   orùnkò.   O   Mòócan   e   os   Delègún   são   os   comprovantes   e   o   diploma   do iniciado. Obrigação de um ano: (Odueta)   ou   (odú   Kíní)   É   às   obrigações   muito   importantes   é   considerada   como   fim   do resguardo   do   Iyawo   após   sua   iniciação.   Somente   esta   obrigação   dará   ao   iniciado   à liberdade   de   viver   materialmente   sem   restrições   na   sociedade   e   no   seu   convívio   familiar e pessoal. Até   fazer   um   ano   de   feitura   ou   pagar   sua   obrigação   de   um   ano   (odú   Kíní),   ainda   terá algumas   restrições   (ewo   temporário.   como   cortar   cabelo,   tomar   banho   de   mar   e   outros. Será   feita   na   obrigação   de   um   ano   de   feitura,   uma   nova   festa   para   comemorar   a   data onde serão oferecidos comida ritual, frutas e flores. Obrigação de três anos: (Oduetá)   Esta   obrigação   é   considerada   a   confirmação   da   continuidade   do   iniciado   no Axé,   e   já   está   autorizado   a   conceber   o   seu   ajuntó,   e   a   começar   ser   liberado   e   graduado pelo   seu   babalorixá,   a   usar   fios   com   Seguis   e   Bràjà   dependendo   do   Orixá,   e   poderá deixar de usar Mòócan e Delègún. (conforme orientação do babalorixá. Outra   obrigação   é   feita   aos   três   anos   de   feitura   (odú   kétà),   algumas   casas   ou   nações fazem   também   uma   de   cinco   anos,   mas   no   candomblé   ketu   considera-se   um   ano,   três   e sete   anos.   Ele   ou   ela   permanecerá   como   Iaô   até   completar   os   sete   anos   de   feitura   e fazer a obrigação de sete anos (odu ejé). Obrigação de sete anos: (Oduijé)   ou   Odu   ejé   (a   pronúncia   do   acento   é   fechada)   É   uma   das   maiores   obrigações de   uma   casa   de   Candomblé,   que   todos   os   iniciados   serão   obrigados   a   tomar   sem exceção.   Com   essa   obrigação   o   iniciado   poderá   receber   posto,   cargo,   titulo   e   direitos   de independência do seu babalorixá. Só quando fizer a obrigação de sete anos Odu ejé é que será considerado um Egbomi. A   obrigação   de   sete   anos   é   tão   grande   e   importante   quanto   a   feitura,   nessa   obrigação   é que   será   definido   se   o   Egbomi   irá   abrir   uma   casa   ou   não.   A   Iyalorixá   entregará   para   o Egbomi   no   ato   da   festa   seus   pertences   (jogo   de   búzios,   pembas,   favas,   sementes, tesoura,   navalha,   tudo   que   vai   precisar   para   iniciar   Iaôs)   no   Ketu   é   chamado   Odu   Ijê com Oyê, em outras nações é chamado de Deká, Peneira, Cuia, etc. Caso   o   Orixá   da   pessoa   não   queira   abrir   uma   casa   e   queira   continuar   na   roça   da Iyalorixá,   o   Orixá   depositará   os   objetos   recebidos   nos   pés   da   Iyalorixá   e   sua   filha   não abrirá   uma   casa,   continuará   na   roça   onde   normalmente   receberá   um   posto   para   ajudar a Iyalorixá. Quando   o   Orixá   aceita   a   Egbomi   receberá   todas   as   homenagens   dos   presentes,   pois está   sendo   consagrada   como   uma   nova   Iyalorixá   se   for   homem   Babalorixá.   Nesse   caso terá   que   providenciar   uma   casa   para   onde   será   levado   seu   Orixá   e   iniciar   um   novo   Ile axé. -   OIYE   -   quer   dizer   titulo   independência,   são   pessoas   que   já   tomaram   seus   sete   anos   e necessitam   de   um   TITULO   dado   pelo   seu   babalorixá/   Yalorixa,   para   ser   independente   e Zelador   (a)   de   Orixás,   sacerdócio.   Esse   Oiye   pode   ser   também   um   cargo   na   casa   do babalorixá onde fez a obrigação. -    DEKA    -    é    autorização    (direitos)    de    conduzir    a    sua    própria    casa    de    Candomblé, atendimento   de   seus   adeptos   e   consulente,   jogar   búzios,   tirar   ebós   e   iniciar   pessoas   no Orixá,   ou   Vodum   dependendo   da   nação   etc..   Na   nação   Jeje   receberá   um   Húnjèbé   é   o Titulo   de   sacerdócio   exclusivo   da   nação   Jeje   e   um   amuleto   do   Egbònme,   é   o   diploma dado pelo Vodun para dar continuidade do aprendizado dos fundamentos dos Voduns. Obs:   Mais   um   enorme   erro   se   que   comete   em   muitas   casas   de   Candomblé   e   tratar   o Orisa   incorporado   no   novo   Elegun   (yiawo)como   se   o   Orisa   fosse      novo   e   o   faz   muitas vezes   dar   Adòbá   (deitar   no   chão)   para   outro   Orisa   de   um   Egbomy   ou   YiA   /   Baba   por acreditarem   que   aquele   Orisa   e   mais   velho;   todos   Orisas   são   iguais   quem   e   novo   e   o Elegun (yiawo) e não o Orisa em que ele foi iniciado.    E   outro   engano   que   se   comete   e   fazer   Orisas   darem   Adòbá   (deitar   no   chão)   para egbomys,   Yalorisas   e   Babalorisas   do   Elegun   como   se   eles   fossem   superiores   ou   mais velhos   que   aquele   Orixa,   na   iniciação   quem   nasce   e   o   Yiawo   e   não   o   Orixa,   um   ser humano    por    mais    conhecimento    e    idade    de    iniciado    que    tenha    nunca    se    tornara superior   ou   mais   velho   que   um   Orixa,   quem   deve   dar Adòbá   e   pedir Abença   e   o   Elegun e não o Orixa. Ire oo!!