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Oxossi Ibualamo ou Odé Ibo Antes de começarmos a falar sobre esse caminho de Odé, quero ressaltar que existem muitas confusões sobre o culto dessa qualidade de Oxóssi. Pois bem, em muitos lugares dizem que Ibualamo é um orixá distinto que no Brasil foi adaptado ao culto de Odé, mas, para desmistificar esse assunto, Ibualamo é uma qualidade de Oxóssi, tanto no Brasil, como na própria Africa, pois na Africa ele é conhecido como Odé Ibo ( Igbò ), tendo um culto totalmente afastado dos outros tipos de Oxóssi, pois sua distinção se difere em ritos, rezas e até mesmo na forma de assentar e raspar esse Odé. Ele é muito confundido com Orixá Erinlé, que é uma outra divindade que também é caçador e anda de branco, porém, Erinlé é filho de Oxalá com Olokún, e Oxóssi é filho de Iyámi Apaoká com Orúnmilá, ou seja, até nessa questão eles são distintos. Nessa qualidade ele tem uma forte ligação com as Iyá mi Oxorongá, devido ser velho, bruxo e muito envolvido a floresta. Oxóssi Ibo ou Ibualamo é velho, veste branco com palha da costa, muitos búzios, ofá, erukere, lança de caça, chifres e chicote de couro pendurado no ombro. É ligado a Omolú, Oxalá e Oxúm, com quem anda e também tem fortes ligações, é o verdadeiro pai de Logún - Edé, aquele que venceu Erinlé na caçada e foi proclamado, seu culto é um refencia, sua saudação se devem abaixar, pois é ele o pai de todos os que vivem no orún e no aiyê. Odé ou Oxóssi Ibo é o responsável pela guarda das florestas, plantas, animais, da medicina e da
cura; é um eximio curandeiro, pois é tido como o senhor da medicina, porque dominou a botânica antes mesmo que Ossaíyn, tanto que no culto a essa qualidade na Africa, os sacerdotes usam cajados e se vestem inteiramente de branco, em referência a sabedoria de cura que tem essa qualidade de Oxóssi. É ele quem nos acompanha na vida, o Odé que dá a própria vida a todos seres vivos existentes na terra, pois sua emanada é exposta a forma de caça, guerra, agricultura, pesca, plantio e zelo pela saúde. É cultuado nos rituais de cura, em ebós para prosperidade e fartura e também é invocado para algumas feituras e raspagens de iyawos e egbomis. Ele é o senhor da tabatinga, a lama da qual é utilizada para formar alguns utensilios para o culto africano e também utilizado na criação dos seres humanos. É ele que junto com Ajalá e Nanã - Burukú forma as espécies e moldam todos os seres vivos, pois após ele é considerado o senhor da carne, também chamado de Odé Akúeran, o Oxóssi que come qualquer tipo de carne. Seu seguimento é acompanhar junto com Oxúm a formação do feto e a fecundação do ser até os 3 meses de gestação, após isso vai ser responsabilidade de Oxúm e Ibejí, para os tais cuidados com o novo ser vivo, então, após o nascimento, os seres vivos são responsabiidade de Oxóssi, pois é ele quem vai sustentar o ser vivo na vida, como a caça não só por alimento, mas também para um amor, dinheiro, magias, curas e outras formas das quais dia a dia lutamos para estarmos vivos. Ibualamo é um poderoso Odé, tido como o mais tenebroso, até mais que Odé Dana - Dana, o Odé negro, pois Odé Ibualamo é o mais feiticeiro e tido como um bruxo amargo quando se refere a justiça, tanto que fora Xangô Oranfé, Oxóssi Ibualamo é o orixá mais justiceiro entre todos dos pantões, mas deixando bem claro, isso depois de Xangô Oranfé. Seus fios são o azul claro, e também usa o marfim, pois é também um caçador de elefantes, onde caçava junto com seu amigo Erinlé, por isso tamanha confusão. É cultuado em Ifé ( Alaketú ), Igbo e Ilobú, mas seu culto vem mais da cidade e da tribo de Igbo, por qual também recebe esse nome. Contam os mais velhos que é Ibualamo o unico orixá que consegue transformar morte em vida, aquele que faz a alma voltar a terra, ou seja, reencarnar, enquanto é função de Oyá Igbale levar a alma para o Orún, pois, Odé Ibualamo ensina as almas no que devem melhorar, cura o motivo da morte na alma e encaminha para Oyá e Omolú, e assim ser reencarnado novamente. Existe muito segredo sobre essa qualidade de Odé, pois é um tremendo mistério e muito coisa reservada, pois é um culto colocada por baixo dos panos, devido a forma de se cultuar, pois não sendo bem cultuada, causa sérios problemas a pessoa e ao sacerdote, dependendo do minimo erro, até mesmo a morte, pois é insanguinário e masoquista ao extremo. Seus segredos devem ser guardados à 7 chaves, por essa razão de cautela, o culto a esse Oxóssi em Igbo na Africa se usa máscaras, pois Ibualamo não gosta de mostrar seus olhos, e quando mostra, é para matar. O que colocamos é que é um dos mais belos tipos de Odé, porém perigoso, não se deve fazer qualquer coisa de qualquer jeito para Ibo, pois um minimo erro, é tido como uma afronta e é punido. O senhor da floresta e verdadeiro dono da vida, provê a fartura, prosperidade, riqueza e saúde. Ele é o rei da própria vida. O NUME DA CAÇA  OXOSSI dos nagôs é o mesmo Abê ou Agbê dos jejes (fanti-aschanti) e Tauamim, Matalumbô ou Congombira dos bantos. Filho de Iemanjá, irmão de Ogun e de Ossãe. Oxossi é formado pelas palavras "oxo"= caçador; e "ossi"= noturno. ELEMENTOS E SÍMBOLOS  DIA Quinta-feira FESTA 23 de abril, dia de São Jorge, com quem está identificado  CORES Verde, azul e escarlate; azul-turqueza e azul com dourado. TALISMÃ Fio de miçangas azuis-turquesa banhado em água de folha-da-costa. Usar no pescoço, pulso ou cintura. No Candomblé: missangas verdes. METAL  Cobre, latão e ferro (Brasil). Madeira (África)  PEDRA Turquesa e topazio.  PERFUMES Selva, silvestre, Brut, Amazone, Madeira.  COMO USAR Passar no corpo, um a cada quinta-feira.  FILHOS FAMOSOS São Sebastião, George Washington, José do Egito, S.Mateus.  SACRIFÍCIOS Porco,bode, boi, galo e conquém (galinha-d'angola).  OFERENDAS Axóxo (papa de milho com coco), caças em geral, frutas. Ipeté, entregues no pé de uma árvore, no mato.  PARTES DO CORPO Ante-braço, braço, cabelo e pulmão.  PROFISSÃO Artes, publicidade, jornalismo, advogados, biólogos e veterinários.  TOQUES Agere (preferido), Ilù, Adahun, Ego.  DOMÍNIOS Matas, fotosíntese, caça, alimento e sustento.  NATUREZA Florestas, selvas, árvores, alagados. SAUDAÇÃO OKÊ! O grito pelo qual se anuncia lembra um latido de cachorro. Na Umbanda, é saudado com: Ode, òkè àró (Salve, oh Caçador)  VELA Verde (claro ou forte), na mata fechada, às 5ª feiras, às 18 horas. SÍMBOLOS   Suas insígnias são o OFÁ (arco e a flecha de metal, conjugados), e o IRUKERÉ (espanta-mosca - símbolo dos Reis na África e afugentador e dominador de Égúns); e os Oge - Chifres de touro - chamados Olugboohun (o Senhor escuta minha voz), que é um poderoso meio de comunicação entre o Aiyé e Orún. O IRÚKÉRÉ ou ÉRÚKÉRÉ é uma espécie de cetro feitos com pelos do rabo de touro, presos a um couro duro, constituindo um cabo, e revestido com um couro fino, ornado com contas e cauris (búzios). É um dos principais instrumentos dos caçadores e detém poderes sobrenaturais. Na África nem um caçador, se aventuraria, a ir à floresta sem seu írúkéré. É preparado com pós e remédios de diversos tipos, assim como folhas e fragmentos triturados dos animais sacrificados. Antes de serem presas, as raízes dos pelos devem durante algum tempo, ficar imersas num pote com uma combinação de elementos que constituem um axé especial, que lhe conferirá suas atribuições necessárias. Não é apenas mais um emblema, tem o poder de manejar e controlar todo tipo de espíritos da floresta. Os pelos do rabo - parte posterior (poente) - representam os ancestrais, espíritos de animais e de todo tipo de espírito da floresta. O Irukeré só era usado pelos reis africanos, pendurado no saiote.   Oxossi é o único Orixá que entra na mata da morte, joga sobre si um pó sagrado, avermelhado, chamado AROLÉ, que passou a ser um de seus dotes. Este pó o torna imune a morte e aos EGUNS. OXOSSI é um orixá que revela a importância da caça entre os povos africanos, com reflexos no culto religioso. Sendo um caçador, lembrando que antigamente na África os caçadores eram os responsáveis pelo sustento e manutenção das aldeias, é o Orixá que garante a fartura, sustento, alimentação e prosperidade ao ser-humano. Muitas vezes é chamado de Odé Wawá, ou seja, "Caçador dos Céus". Ele é considerado a divindade da fartura, da abundância, da prosperidade. Em seu lado negativo, porém, pode ser também o pai da míngua, da falta de provisão. Deus da caça, das úmidas florestas, com o Ofá abate os javalis, as feras, É o invencível caçador. Rei Oxossi, senhor do Keto, rodeado de animais, usa capanga e um elegante chapeú de couro de abas largas enfeitado de penas de avestruz nas cores azul e branco. Leva dois chifres de touro na cintura, além do arco e uma flexa de metal dourado, Ele dança com arco e flecha numa mão e na outra com o Irukérê. Usa saiote de plumas verdes ou multicores; penacho e capacete verdes. Pulseiras e braceletes de bronze. Algumas vezes veste-se de azul-turqueza ou de azul e vermelho. Sua dança é mímica de uma caçada e simula o gesto de atirar flechas para a direita e para a esquerda, o ritmo é "corrido" na qual ele imita o cavaleiro que persegue a caça, deslisando devagar, às vezes pula e gira sobre si mesmo.  É uma das danças mais bonitas do Candomblé. Sua comida preferida é a carne de porco. Gosta também de bode e galo mas não tolera feijão branco. Na qualidade de de caçador, Oxossi tem sua casa ou assento no quintal do candomblé, quase sempre no meio de arbustos e folhagens. Além de Oxossi, também Exu, Ogun e Ossãe têm a habitação ao ar livre e, como insígnia, um objeto de ferro forjado. As quatro divindades estão intimamente interligadas. Insignia de Oxossi   Oxossi, em sua atividade venatória, penetra na mata e é Exu quem o ajuda e orienta; é Exu quem lhe abre os caminhos. Esses caminhos, porém, são dificultados pela galharia enredada, espinhos, cipós, imprevistos. Aí ocorre Ogun, de quem Oxossi seria filho ou irmão caçula. E Ogun, com sua espada, limpa os caminhos para a penetração do caçador divino. Uma vez dentro da mata, Oxossi está nos domínios de Ossãe, o que reina sobre os vegetais. E Ossãe ensina-o a conhecer as ervas que curam os homens e os animais, bem como as plantas sagradas, que entram na liturgia dos orixás. Está estreitamente ligado a OGUM, de quem recebeu suas armas de caçador. Conta a lenda que OSSÃE apaixonou-se pela beleza de OXOSSI e prendeu-o na floresta. OGUM consegue penetrar na floresta, com suas armas de ferreiro e libertá-lo. Ele está associado ao frio, à noite, à lua; suas plantas são refrescantes. Nos mitos falam que Oxossi é filho de APAOKA (jaqueira). Que ele foi o caçador de elefantes, animal associado à realeza e aos antepassados. E há um mito que conta que OXOSSI encontrou IANSÃ na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos filhos que são abandonados e criados por OXUM. Oxossi vivendo na floresta onde moram os espíritos, está relacionado com as árvores e os antepassados. As abelhas pertencem-lhe e representam os espíritos dos antepassados femininos. Relaciona-se com os animais, cujos gritos imita a perfeição; é um caçador valente e ágil, generoso, propicia a caça e a pesca, e protege contra o ataque das feras. Seu ILÁ (canto), conforme sua qualidade, parece o cantar de um pássaro ou o berro de um animal. É um solitário solteirão, depois que foi abandonado por IANSÃ e também porque na qualidade de caçador, tem que se afastar das mulheres, pois elas são nefastas à caça. ORIGENS, EMBLEMAS, SINCRETISMO Das duas velhas negras africanas que fundaram na Bahia o candomblé do Engenho velho, pai de todos os outros, uma era filha de Oxossi. (A outra, de Xangô). As filhas-de-santo desse candomblé trazem ao ombro um longo chicote de crina, atributo de Oxossi, como vimos acima. E os cânticos desse orixá, observa Edison Carneiro, "revelam fortes revivências totêmicas e, por vezes, vestígios de culturas desaparecidas já, como o culto das árvores". Também é a casa de Oxossi o ilustre candomblé do Gantois, que tem em Menininha (Escolástica Maria da Conceição Nazaré) a mais famosa iyalorixá da Bahia, que completou mais de meio século de "feita" e que já passou para o outro plano de existência. Nas festas, manifestado, Oxossi apresenta-se com saiote armado e calças rendadas, na cabeça um chapéu ou gorro com enfeites de contas e outros. Descreve Edison Carneiro: "Veste-se principescamente, de manto aos ombros. Algumas vezes tem o citado chapéu de couro, de feltro ou de veludo". Além de empunhar seus símbolos, já citados, pode trazer, ainda, espingarda, aljava, capanga e bichos de penas dependurados no cinto. No século XIX o reino de Kêto foi destruído e saqueado pelas tropas daomeanas. Seus habitantes, entre os quais adeptos de Oxossi, foram escravizados e vendidos para o Brasil e Cuba. Eis por que o culto de Oxossi, muito propagado entre nós, hoje praticamente inexiste na África. Observa Pierre Verger que ainda existem, em Kêto, os locais onde Oxossi recebia oferendas e sacrifícios, mas não há quem saiba ou deseje cultuá-lo. Nos candomblés jejes existe um Oxossi denominado Aguê, filho de Mawu e Lissa(Nota: para os fon (Daomé), Naná Buruku é mãe do casal de gêmeos Lissa (homem) e Mawu (mulher), o Adão e a Eva dos negros, dos quais descende toda a humanidade). Além do Erukêré, tem como insignia um pequeno bastão, encimado por um pássaro, pendentes dois pequenos cordões com um cacho de búzios na extremidade. Aguê vive sempre nas matas e é o porta-voz de OSSÃE, orixá que raramente se incorpora numa filha-de-santo. Outra forma de Oxossi é Inlê ou Ibualama, casado com Oxum. Incorporado, Inlê dança segurando o amparo, um açoite formado por três tiras largas de couro, com que se autocastiga. Inlê e Oxum tiveram um filho, de nome Logunedê. Oxossi identifica-se com São Jorge, tendo como efígie o santo a cavalo, combatendo com a lança o dragão a seus pés. Nos xangôs do Recife, identificado com São Miguel, é mais conhecido como Odé e confundido com o Sultão, um caçador emerso dos candomblés-de- caboclo.