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A proteção do terreiro  A Importância de Èsù na Porteira dos Terreiros Uma   história   Nago   conta   que   havia   um   grande   sábio,   que   em   razão   do   seu   surpreendente   conhecimento   era   invejado por   muitos,   até   mesmo   pala   Morte   (Iku)   e   pela   Doença   (Arun).   Ao   saber   disso,   esse   grande   sábio   consultou   um Babalorisa, tentando saber o que fazer para afastar um possível mal à sua integridade física. O   Deus   da   Adivinhação,   por   meio   do   jogo,   disse   que   ele   seria   atacado   por   Arun   (a   doença)   e   em   seguida   por   Iku   (a morte)   e   que   para   conseguir   escapar,   ele   deveria   realizar   uma   oferenda   à   dois   Èsù,   colocando   um   na   entrada   principal da sua casa e outro na entrada dos fundos. Assim o sábio fez, com o auxílio do Sacerdote. No   dia   seguinte, Arun   foi   à   casa   do   sábio   e,   ao   chegar   na   porta   de   entrada,   deparou-se   com   Èsù. Arun   disse:   “Me   licença   Èsù,   pois   quero   entrar”.   Èsù,   que   havia   recebido   as   oferendas   do   sábio,   disse   à   Arun   que   não   permitia   a   sua entrada, que desse meia volta. Arun   no   entanto,   não   se   deu   por   contente   e   tentou   entrar   pela   porta   dos   fundos,   mas   lá,   o   outro   Èsù   também   não deixou Arun entrar. Iku, fez o mesmo que Arun e não conseguiu entrar na casa do sábio. Desde aquele dia, Èsù está na porteira dos sábios, evitando que coisas negativas entrem. Já   citei   nesse   blog   a   importância   dos   Exus   para   o   terreiro,   pois   bem,   neste   artigo   vou   falar   um   pouco   sobre   a   proteção deles no mesmo e outros fatores que dividirei por subtítulos. A   proteção   dos   Exus   no   terreiro   de   Umbanda   é   essencial,   sem   a   presença   deles   o   terreiro   fica   vulnerável,   pois,   as demais   Entidades   protegem,   mas   na   gira   delas   as   mesmas   estão   trabalhando   em   outras   causas,   atendendo   os consulentes   e   visando   outras   necessidades   dos   filhos.   Elas   conseguem   e   fazem   por   onde   proteger,   mas   precisariam focar   nisso   e   se   desprenderem   do   trabalho   que   ali   estão   para   cumprir,   o   objetivo   da   gira   mudaria   totalmente   de   rumo, seria   uma   espécie   de   culto   para   despachar   espíritos   perdidos.   Por   isso,   nas   giras   de   ‘’direita’’,   os   Exus   e   Pomba   Giras são   afirmados   no   que   chamamos   de   Porteira,   onde   se   é   feito   uma   firmeza   para   pedir   a   proteção   e   a   guarda   dos   Exus no terreiro. Firmeza da porteira, Tronqueira e assentamentos para com os Exus Como   disse,   a   Porteira   é   o   local   onde   ficam   as   firmezas   dos   Exus,   como   o   nome   mesmo   diz,   ela   fica   localizada   na porta   do   terreiro,   onde   cada   terreiro,   ali,   afirmam   seus   Exus   conforme   a   ordem   dada   pela   hierarquia   da   casa.   Existe também   e   muitos   terreiros   têm   um   local   específico   dos   Exus   chamado,   ‘’Tronqueira’’,   esta   tem   o   intuito   de   afirmar   os Exus   no   terreiro,   um   intuito   que   a   Porteira   tem,   mas   que   vai   muito   além   do   simples   fato   de   deixar   a   presença   dos   Exus na   guarda   do   terreiro   durante   a   gira.   Na   Tronqueira   vão   fundamentos   mais   específicos,   dos   quais   obviamente   não entrarei   em   detalhes.   A   Tronqueira   é   um   lugar   fixo   que   está   assentado   os   preceitos   dos   Exus   que   comandam   o terreiro,   para   que   eles   deixem   seus   enigmas   e   teores   espirituais   24h   ativos   na   casa,   um   assentamento   dos   Exus   com o   terreiro   e   não   com   médium   ou   filho.   Portanto,   todo   terreiro   que   tem   um   local   adequado   pra   isso,   tem   uma Tronqueira e   afirma   a   Porteira   do   terreiro,   ou   seja,   depositam   os   preceitos   na   Tronqueira,   onde   estão   todos   os   segredos   e   os enigmas   plantados,   e   depositam   enigmas   e   fé   na   firmeza   da   Porteira,   complementando   os   preceitos   e   utilizando   de objetos   ritualísticos   na   parte   superficial   do   terreiro,   especificamente   na   entrada   para   o   pedido   de   proteção   aos trabalhos que ali estão ocorrendo. Só   acrescentando   e   citando   algo   importante   sobre   assentamentos,   esses   podem   ter   vários   intuitos   e   geralmente quando   alguém   (um   indivíduo)   diz   que   tem   Exu   assentado,   significa   que   o   mesmo   fez   de   preceitos   e   fundamentos mais específicos que ligam a pessoa ao seu Exu, isso não condiz com o coletivo, ou seja, com o terreiro. PARA QUE SERVE A TRONQUEIRA? “Lá na porteira eu deixei meu Sentinela!”tu Não podemos esquecer de saudar a tronqueira e os exus guardiões quando adentramos nos templos. Muitos   são,   os   que   chegam   a   um   templo   de   Umbanda   e   reparam   naquelas   casinhas,   chamadas   de   tronqueira, existentes na porta. Este   recurso   é,   no   templo,   um   ponto   de   força   onde   está   firmado   (ativado)   o   poder   dos   guardiões   que   militam   em dimensões a nossa esquerda. A   tronqueira   é   um   portal   de   polaridade   negativa   absorvedora   e   esgotadora   fazendo   exatamente   a   justa   posição   com   o altar (conga) que é um portal de polaridade positiva irradiadora. Dizem   alguns   clarividentes   que,   no   astral,   esse   portal   de   força   assemelha-se   a   um   vórtice   que   “suga”   e   que   impede   as forças hostis de se servirem do ambiente religioso de forma deturpada. Cada   pessoa   que   entra   em   uma   casa   de   Umbanda   traz   consigo   seu   “saco   de   lixo”   cheio   (são   seus   pensamentos mesquinhos,   suas   raivas,   suas   desilusões…)   e   muitas   destas   energias   obscuras   e   alguns   espíritos   desorientadas   não conseguem   nem   se   aproximar   dos   Terreiros   de   Umbanda,   pois   os   Guardiões   da   Tronqueira   ficam   encarregados   de juntarem   todos   estes   “sacos”   para   descarregar,   dando   a   cada   um   de   nós   a   oportunidade   de   diminuirmos   o   nosso   lixo   e facilitando nossas próximas limpezas. A   força   da   tronqueira   advém   dos   elementos   ativados   no   astral   que   são   instrumentos   dos   mistérios   dos   Exús   e Pombagiras.    São    sempre    guiados    pela    Lei    Maior    e    pela    Justiça    Divina    para    beneficiar    os    trabalhos    espirituais realizados   no   terreiro   como   anulação   de   forças   negativas,   recolhendo   e   encaminhado   seres   trevosos,   protegendo   e muitas   vezes   abrindo   caminhos   e   curando.   Alguns   exemplos   de   elementos   dispostos   são:      tridentes,   punhais,   velas, ervas, pedras, bebidas, entre outros. Existem   outros   tipos   de   elementos,   que   são   velados.   Isto   é   necessário,   para   manter   o   devido   resguardo   dos   trabalhos do templo, evitando até que pessoas dêem mau uso a forças tão importantes. É   importante   que   os   médiuns   e   que   toda   a   assistência   saibam   da   importância   de   uma   tronqueira   e   que   todos entendam que este ponto de força está sobre as ordens da Lei Maior. Quando   alguém   deturpa   este   ponto   de   força,   usando-o   de   forma   negativa,   este   se   torna   um   portal   negativo.   Este   tipo de procedimento não é da Umbanda e sim de seitas que muitas vezes se utilizam do nome da nossa religião. Não   podemos   nunca   esquecer   de   saudar,   de   forma   respeitosa,   a   tronqueira   e   os   exus   guardiões,   quando   adentramos nos templos. Palavras de um Exu Guardião da Tronqueira Da entrada do terreiro observo os trabalhos. Os médiuns ocupam seus lugares. Velas já firmadas. Pontos irradiando. Todos   integrantes   começam   a   bater   cabeça   enquanto   a   vibração   dos   pontos   cantados   e   tocados   pelos   atabaques diversificam-se pelo salão. O dirigente recebe as coordenadas. Os mentores e guias irmãos ficam preparados. Na   assistência   esperam   consulentes,   pessoas   que   frequentam   a   casa   assiduamente,   outros   vindos   pela   primeira   vez indicados   por   amigos.   Umas   pessoas   estão   emocionadas,   não   sabem   explicar.   Eu   sei…são   seus   mentores   que   se fazem presentes. Outras   estão   suando,   passando   mal,   agoniadas,   querendo   sair.   Espíritos   trevosos   vieram   com   elas,   mas   entendendo onde   estão   agora,   prezam   para   sair   antes   que   sejam   capturados   e   resgatados.   Com   certeza   não   poderão   sugar   mais energias das pessoas que acompanham no plano terreno. O dirigente inicia os trabalhos.Na corrente um médium bambea, parece que vai cair. Observo seu caboclo ao lado. O   médium   é   iniciante,   não   está   totalmente   integrado   ao   seu   guia.   Com   fé   e   paciência,   com   o   tempo,   certamente incorporará seu caboclo. Demais médiuns da corrente já incorporaram. O caboclo chefe manifesta-se no dirigente igual a primeira vez quando trouxe as primeiras mensagens. Na sequencia que outros caboclos chegam a energia positiva se multiplica. A egrégora é fortificada. Estes caboclos durante os passes retiram da assistência os obsessores, eguns e kiumbas. Limpam   as   pessoas   perturbadas   e   um   jeito   sério   e   fraterno   transmitem   paz   e   segurança.   Consequentemente   levando esperança   a   muitas   pessoas   que   têem   em   mente   que   seria   o   ´´último   “lugar   que   procurariam   ajuda   na   sua   agonia. Agora sentem-se aliviadas. Digo por experiência que em breve algumas delas estarão manifestando seus guias. Todavia acostumado ver esta situação sempre me emociono. De onde estou continuo a acompanhar os trabalhos. Na assistência uma jovem que permanecia sentada, de repente levanta-se e pôe a vociferar. Moça de voz melodiosa e serena transforma-se totalmente. Sua voz fica grave e arrogante. Ela   tenta   agredir   os   cambonos   da   casa,   que   são   médiuns   auxiliares,   habitualmente   conduzam   os   necessitados   para   o salão principal onde são realizados os trabalhos. O   kiumba   que   acompanha   a   jovem   é   perigoso   e   ao   cruzar   a   entrada:   grita   e   xinga   tentando   machucar   a   moça possuida. Tudo   isso   devido   ela   ter   se   afinizado   com   ele,   pensando   negativamente,   acompanhando   amigas   em   lugares   de   baixas vibrações,   tomar   atitudes   contrárias   ao   modo   que   foi   bem   criada,   permanecer   ao   lado   de   uma   pessoa   que   não entende a caridade, entre outras situações. Os caboclos alertas abrem a roda. Os atabaques soam em ritmo apropriado para a descarga energética. O   caboclo   chefe   olha   para   outro   irmão   de   luz,   que   entendendo   rodeia   a   moça   criando   um   campo   de   força   para   que   ela não se machuque. O caboclo da moça também irradia com força sobre ela. Chegou minha hora, aproximo-me tranquilamente. O kiumba desesperado tenta evitar meu olhar. Não percebeu, mas já teve suas forças exauridas pelos elementos dos trabalhos. Sorrindo vou em sua direção. Ele ofende, grita e esbraveja. O caboclo ordena pelo meu apoio. Dou   um   salto   na   qual   encosto   a   lâmina   de   minha   espada   no   pescoço   do   kiumba.   Domino-o   com   facilidade.   Chamo outros   guardiões   que   o   amarram   e   colocam   no   liame,   á   beira   de   um   círculo   de   velas.   Durante   os   estudos   os   médiuns chamam de Mandala Ígnea. Um portal magístico. O kiumba se joga dentro. Preferiu ser resgatado a uma dimensão paralela, para seu próprio aprendizado e evolução. Foi esperto… se ficasse iria perder a garganta. Outros kiumbas menores também são capturados e levados a lugares de merecimento. A   moça   volta   ao   estado   normal.   Algumas   pessoas   da   assistência   comentam   que   as   velas   em   poucos   minutos queimaram   muito   rápido,   estão   no   fim,   faltando   pouco   para   acabarem.   Os   menos   entendidos   colocam   a   razão   num vento que não existiu ou na parafina que poderia ser fraca. Não sabem eles o trabalho benéfico que se faz no astral durante o tempo que permanecem sentados. Acham muito o tempo para espera. Eu acho pouco o tempo para trabalho. Enfim, nós mentores e guias fazemos o que podemos segundo necessidade e merecimento de cada um. Os caboclos acabam os descarregos tirando os resíduos e agradecem meu auxílio. Volto ao meu lugar na tronqueira e observo o fim dos trabalhos. Minhas velas, charutos e marafos estão firmados para segurança. Os trabalhos terminam, todos se vão felizes. E eu na porteira estou…Sentinela. A presença dos Exus na Porteira Nos   rituais   de   abertura   dos   trabalhos   de   Umbanda,   já   com   a   Porteira   afirmada,   se   canta   e   louva   aos   Exus   que   ali estão   protegendo,   mas   é   muito   importante   tocar   num   ponto   específico.   Muitos   pensam   que   os   Exus   literalmente   irão ficar   ‘’plantados’’   na   porta   do   terreiro,   nos   servindo   de   seguranças   e   esperando   o   encerramento   dos   trabalhos.   Não,   o que   ficará   na   porteira,   assim   como   fica   nas   firmezas   das   demais   Entidades   no   Congá   (altar)   dentro   do   terreiro,   são   as energias e os enigmas dos Exus, que são depositados diante o ritual da firmeza da Porteira. Tem   que   se   tomar   muito   cuidado   com   interpretações   na   Umbanda,   principalmente   porque   a   mesma   usa   de   termos bem   práticos.   Quando   se   diz:   ‘’   Deixei   Exu   na   Porteira,   ou   ali   está   Exu   tomando   conta,   etc.’’   Quer   dizer   que   ali,   foi   feito com   fundamento   os   preceitos   para   deixar   a   força   de   Exu   na   entrada   do   terreiro,   assim   como   acontece   no   congá quando   o   afirmamos   antes   de   começar   a   gira,   as   Entidades   não   vão   ficar   sentadas   no   congá   ao   lado   de   suas   velas, esperando   nosso   chamado.   O   intuito   dessas   firmezas,   justamente   é   depositar   os   enigmas   das   Entidades,   como demarcar   um   território,   aonde   qualquer   espírito   que   ali   chegar,   saberá   que   e   sentirá   o   que   tem   ali.   No   caso   da Porteira,   vai   saber   assim   que   chegar   perto,   que   ali   é   chão   protegido   por   Exu,   então   se   ainda   assim   tal   espírito   ousar   a tentar   vazar   esses   enigmas,   Exu   como   um   raio   de   luz   se   faz   presente,   mas   sinceramente,   uma   Porteira   bem   afirmada é difícil qualquer espírito ousar-se a passar. Despachar Exu Um   termo   muito   usado   num   ritual   de   início   dos   trabalhos.   Este   termo   surgiu   desde   os   cultos   referentes   ao   Orixá   Exu dos   nagôs,   e   como   há   um   procedimento   semelhante   aos   Exus   (Entidades)   nos   cultos   de   Umbanda,   este   termo também   veio   parar   na   mesma.   Um   termo   que   na   interpretação   direta   se   torna   totalmente   errôneo,   pois,   sem   os   Exus não   há   proteção   no   terreiro   e   sem   o   Orixá   Exu   não   se   faz   nada,   então   como   alguém,   seja   no   Candomblé   ou   na Umbanda vai despachar Exu?… Existe   um   ritual   na   Umbanda,   onde   muitos   terreiros   o   realizam   durante   a   saudação   da   Porteira,   que   durante   os   pontos cantados   (cânticos   sagrados)   se   oferta   aos   demais   Exus,   aqueles   que   não   fazem   parte   do   terreiro.   Ali,   além   da oferenda   se   faz   outros   procedimentos   do   lado   de   fora   do   terreiro,   justamente   para   despachar   Kiumbas   (espíritos perdidos),   mas,   como   a   falta   de   orientação   que   atinge   a   população   leiga   e   se   torna   até   tradicionalismo   atingindo também   os   consulentes   dos   terreiros,   os   mesmos   ao   verem   tais   procedimentos   ritualísticos,   diziam   que   o   Pai/Mãe   do terreiro   estava   despachando   os   Exus,   daí   surgiu   à   tradição   do   termo   ‘’despachar   Exu’’.   Por   isso,   tem   que   se   tomar muito   cuidado   ao   interpretar   as   questões   do   dia-a-dia   da   Umbanda,   jamais   pode   se   deixar   levar   pela   lógica   óbvia   e aparente. Resolvi   postar   esses   assuntos   dentro   de   um   só   artigo,   pois   um   complementa   o   outro,   e   muitos   leigos   e   até   mesmo umbandistas,   principalmente   os   neófitos,   confundem   muito   esses   procedimentos   ritualísticos   que   fazemos   aos   Exus.   E às vezes por não compreenderem, acabam desvirtuando os sentidos e objetivos dos verdadeiros fundamento