Obá

OBÁ

Obá, e ligada ao Rio Obá ou rio Níger, a primeira Amazonas de Sangô e depois se tornou uma das esposas dele, identificada no jogo do merindilogun pelos odu odi, obeogunda e ossá. Guerreira, veste vermelho e branco, usa escudo, Arco e flecha Ofá. Obasy é a senhora da sociedade elekoo, porém no Brasil esta sociedade passou a cultuar egungun. Deste modo, obasy é a senhora da sociedade lesse-orixa. Obá representa as águas revoltas dos rios. As pororocas, as águas fortes, o lugar das quedas são considerados domínios de Obá. Ela também controla o barro, aguá parada, lama, lodo e as enchentes. Trabalha junto com Nanã. Representa também o aspecto masculino das mulheres (fisicamente) e a transformação dos alimentos de crus em cozidos.É também a dona da roda. Embora feminina, energética, temida, e forte, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos, vencendo na luta a Osàlá, Oyá, Osùmarê, Esù e Orumilá.
No culto Yoruba e no culto a Ifá Obá não e um Orisá, sendo apenas Amazonas de Sángo e pela sua proximidade a Sángo e Oya e confudida com os Orisas.
Embora Obá se tenha transformado num rio, é uma deusa relacionada ao fogo.

O lado esquerdo (Osì) sempre esteve relacionado à mulher e, por uma razão muito elementar, é o lado do coração. Quando Obá é saudada como guardiã da esquerda, isso quer dizer que é a guardiã de todas as mulheres, aquela que compreende os sentimentos do coração, pois Obá pensa com o coração, por isso dança sempre com a mãe esquerda apontando para o lado esquerdo na latura da orelha, poder genitor feminino, rainha em África da sociedade Elekoo, onde homem não entra, as grandes Amazonas de Oba. Oba não conhece a cabeça de homem.

Ligadas a Osòosì pela caça e grande arqueira, ligada a Sàngô através do fogo a luta pela vida. Como pode uma deusa ligada a esses sentimentos, dedicar-se à guerra? Toda a energia das suas paixões frustradas é canalizada por ela para a guerra, tornando-se a guerreira mais valente, que nenhum homem ousa enfrentar.Obá está presente também nos coriscos, poder que lhe foi dado por Sangô, pois ela também tem ligação com a energia elétrica, a eletricidade. É poderosa, sábia, madura e realista.
Obá supera a angústia de viver sem ser amada.

Obá troca um palácio por uma cabana, troca todas as riquezas do mundo por uma frase: “Eu te amo”.
Na vida dos seres humanos, Obá rege a desilusão amorosa, a tristeza, o sentimento de perda, o ciúme, a incapacidade do homem de ter aquilo que ama e deseja. Obá é a raiva, a solidão, a depressão, o sentimento de abandono.

Obá é também a frustração do homem e da mulher. Embora a lenda diga ser Obá uma guerreira, vencedora, ela consegue seu encantamento nas desilusões e frustrações, na derrota.
Quando nos sentimos traídos, abandonados, sem esperança, com raiva, frustrados em nossos objetivos, desencadeamos essa força da natureza chamada Obá, que mexe no nosso interior.

E a lógica diz que Obá é a “ultima gota”, que faz transbordar nossos sentimentos. Daí sua regência também nas enchentes e inundações. É um ato de excesso, de excesso, de explosão, de revolta, desencadeado por esta força cósmica.

Se um rio enche e transborda, é porque não suporta mais o volume de água, deixando escapar “aquilo que já não cabe mais”. Isso é Obá, essa é a sua regência, seus encantamento, sua influência.

Obá é o desabafo: ” já não suporto mais…” , é a agitação do sentimento indevidamente mexido, afetado por algo ruim.
Dia: Quarta-feira
Cores: Marron raiado, Vermelho e Amarelo
Símbolos: Ofange (espada) e Escudo de Cobre, Ofá (arco e flecha)
Elementos: Fogo e Águas Revolta.
Metal: Cobre
Folhas: candeia, negamina, folha de amendoeira Golfo de flor (qualquer que seja a cor), rosa vermelha, tangerina,maçã.
Pedra: Marfim, coral, esmeralda, olho de leopardo.
Domínios: Amor e Sucesso Profissional
Saudação: Obà Siré!

Características das filhas de Obà:

Os filhos de Obá não tem muito jeito para se comunicar com as pessoas, chegam a ser duros e inflexíveis. Têm dificuldade em ser gentis e estabelecer um canal de comunicação afectiva com os outros; às vezes são brutos e rudes afastando as pessoas. Isso deve-se ao fato de os filhos de Obá, na maioria das vezes, sofrerem um certo complexo de inferioridade achando que as pessoas que se aproximam querem tirar partido de alguma coisa. De facto, isso tende a acontecer com os filhos de Obá.

A sua sinceridade chega a ferir; expressam as suas opiniões, fazem críticas e acabam por magoar as pessoas, pois não se preocupam em ser agradáveis. Mas essa agressividade é puramente defensiva.

São bons companheiros e amigos fiéis, são ciumentos e possessivos no amor, por isso não têm muita sorte. Quando apaixonados, nunca são senhores da relação, cedem em tudo, abdicam de todas as suas
convicções. Algumas vezes infelizes no amor, investem todas as suas cartas nas suas carreiras e, de entre as mulheres que se destacam profissionalmente numa sociedade machista, podem-se encontrar muitas filhas de Obá excelentes juizas, advogadas, comandando quartéis, etc. Muitas vezes despertam a inveja dos seus inimigos e podem sofrer algumas emboscadas, por isso devem vencer a tendência que possuem para a ingenuidade.

Epítetos (qualidade):
As Qualidades (epítetos) de Obà são sempre pela região de culto, todas fazem votos á guerreira. Alguns dizem que ela nem possui as qualidades:
-Obá Gìdéò
– Obà Syìó;
– Obà Lòdè;
– Obà Lóké;
– Obà Térà;
– Obà Lomyìn;
– Obà Rèwá.

Itans (lendas):
Obá foi a primeira Amazonas de Sàngô. Ao contrário do que muitos pensam, a lenda de que Obá cortou a orelha por causa da mentira de Oxum está incorreto, na verdade, Obá apenas cortou sua orelha para provar sua Dedicação a Xangô. Quando manifestada, esconde o defeito com a mão. Seus símbolos são espada, escudo, ofá e erukere.

Segundo suas lendas, Obá lutou contra inúmeros Orisás, derrotando vários deles. Obá teria derrotado Esù, Osùmarê, Omolú e Orunmilá, e tornou-se temida por todos os deuses, tendo sido derrotada apenas por Ogun e tornando a assim sua esposa e ao lado de Ogun quando este foi enfrentar Sàngô em batalha ela se encantou por Sàngô e abandonou a luta ao lado de Ogun e foi se tornar Amazonas de Sàngô . Obá nunca havia visto alguém como Sàngô, ela via nele tudo o que sonhava para si.

Existem algumas versões do grande encontro de Sàngô e de Obá, em uma dessas versões ela é a líder de todas as mulheres e a rainha de Elekô, mas em todas, as evidências dizem que o amor entre os dois era desmedido e que nada ofuscava a relação dos dois, da união dos dois nasceu Opará, Orisà confundida com Osun.

Sàngô e Obá

A união de Sàngô e Obá Transcorre um culto nos arredores da cidade, é eleko. Uma sociedade restrita, onde apenas mulheres realizam o culto. Possui como matriarca a temida Obá, a fundadora desta sociedade que cultua a ancestralidade feminina individual. Nem um homem poderia sequer assistir o ritual do segredo, sendo punido por Obá com sua própria vida. Certo dia, em uma das noites de culto, Sàngô caminhava alegremente e dançava ao som do batá. Quando percebe, ao longe um aglomerado de mulheres, realizando uma cerimônia sob as ordens da enérgica Obá. Sàngô era muito curioso e não se conteve aproximando-se da cena, ficando a espreita. Sàngô encantou-se com a rara beleza de Obá, que apesar de não ser tão jovem era a mais bela mulher que ele já vira. No momento de distração, Sàngô foi percebido e cercado pelas mulheres, foi levado a presença da grande deusa, que lhe falou o preço que haveria de pagar por sua audácia em violar o culto sagrado de Elekó. Mas a própria Obá que encantou-se com a inigualável beleza e Realeza de Sàngô , relutou em aplicar a sentença de morte e usou de sua supremacia no culto para ditar nova regras, dando nova chance a Sàngô: “Todo homem, que violar o culto, se for do agrado, da senhora do culto, deverá unir-se a ela e respeitar o culto ou aceitar a pena de morte.” Sàngô aceitou a oferta.

Embora, em suas lendas, Obá tenha se transformado em um rio ela também é relacionada ao fogo . Obá tem ciúme porque ama. Obá é a deusa da guerra e do poder, seu culto está relacionado ao rio Obá, as águas em seu culto faz referência ao poder, a força incontrolável das águas. Seu culto no Brasil é confundido ao de Oyá, alguns chegam a insinuar que elas sejam irmãs, o que é uma inverdade, outros dizem que Obá seria uma Oyá mais velha, o que é mais absurdo ainda. Por existir esta confusão, alguns acreditam que Oyá além de ser uma divindade da água e relacionada ao vento, teria ligação com o fogo, mas Oyá não possui ligação com o fogo, Obá sim.

Obá quando em fúria transborda, agita-se; Oba é a senhora da sociedade Elekô. Tudo relacionado a Obá é envolto em um clima de mistérios.Obá nasceu do ventre rasgado de Iemanjá após o incesto de Orugan. Obá era cultuada como a grande Deusa protetora do poder feminino, por isso também é saudada como Ìya Agbà e mantém estreitas relações com as Iyá-Mi. Obá é a Iyámi Egbé, ela é a Iyá Abiku, desta forma é ela a encarregada de enviar ao mundo as crianças que nascem como castigo para seus pais. O que Sàngô representa para os mortos masculinos, Obá representa para as mulheres mortas. Ela assim como Sàngô é a representante suprema da ancestralidade feminina.

Orixá Obá e a guerra entre a Direita e a Esquerda

Orixá Obá é a rainha da nação de Elekô (antiga cidade leste de Oyó) e que teve seu culto destruído na África após o ataque que o Aláfín de Oyó fez no século XIX, destronando assim toda a cidade de Elekô transformando-a numa província de Oyó onde hoje situa-se a cidade de Ila.
Obá teve como grande mentor em sua vida seu pai que a ensinou a lutar e a se defender. Obá é filha de Ananí, este sendo até então o rei de Ekô. Ananí se casou com Iyemowo e com ela gerou uma criança, Ananí acreditava ser um menino, então antes do nascimento, Ananí comprou vários adornos de guerreiros como espada, escudos, armaduras, elmos e lanças, tudo na esperança de que seu filho nascesse e fosse um grande guerreiro conquistador de terras para que um dia reinasse sobre a terra de Ekô. Mas Iyemowo ficou pensativa e saiu da situação, foi atrás de um babálawô como era de costume para as mulheres gestantes irem á um adivinho saber o sexo do bebê. Mas ao chegar ouviu a forte notícia de que a criança em sua barriga não era um menino mas sim uma menina. Iyemowo ficou desesperada pois sabia como Ananí ficaria se soubesse que na verdade sua criança era uma menina, então, quando chegou a sua casa disse à Ananí que era um menino e que Okanran-Mejí estava dando boas energias pera esse nascimento. No dia de seu nascimento, foi para o mar onde teria seu “filho” mas antes de qualquer parto, era necessário um sacrifício para as mães feiticeiras Iyá-Mí Ajés, caso o contrário, a criança nasceria e seria devorada por elas rasgando a barriga da mãe e como Iyemowo esqueceu de fazer os preceitos não deu outra, quando Obá nasceu, logo as Iyá-Mí enfurecidas com o desfeito de Iyemowo, foram para cima de Obá para devora-la e depois rasgaria a barriga de Iyemowo e seu útero seria servido aos abutres, mas Iyemowo lembrando do preceito do nascimento, rapidamente com efún, wají e dendê pintou a menina e com o pombo branco arrancou-lhe a cabeça e deu o sangue à cabeça de Obá, assim, as bruxas não puderão fazer nada em respeito a Obá devido a Iyemowo ter feito o preceito ao nascer das crianças, porém, Iyemowo não havia feito o preceito de antes que protegeria não só sua filha, mas a sí própria, então as Iyá-Mí partiram para cima de Iyemowo arrancando-lhe os úteros e servindo-os aos seus abutres. Iyemowo ficara praticamente morta mas não podia deixar que sua filha ficasse ali, então encantou rapidamente Obá com a folha de Aderun (folha dos cultos de Obá) e a enrolou em panos sedosos e com sacrifício caminhou até Ekô para deixar sua filha à seu marido Ananí. Ao chegar, Iyemowo deixou Obá em cima do trono do rei e veio a cair no chão morta e toda ensanguentada. Ao chegar, Ananí vira sua esposa e rainha morta ao chão e seu “filho” deixado em cima de seu rono, Ananí ficou enfurecido com a morte de sua esposa e foi atrás de um babalawo para saber o ocorrido e este lhe falou que sua esposa não havia feito o preceito às bruxas Iyá-Mí e então foi a pena para quem não faz o sacrifício à elas. Ananí ficou enfurecido e jurou se vingar da morte de sua esposa contra as feiticeiras. Ananí pegou um ódio mortal por elas, e consequentemente, um ódio fatal pelas mulheres devido as Iyá-Mí serem mulheres e zeladoras de seus cultos. Ananí mandou suas tropas matar todas as mulheres de seu reino, matando até as crianças e jovens moças que estavam ali crescendo. Ananí não se continha em puro ódio e para se vingar, queria exterminar todas as mulheres do mundo para que o culto das Iyás fossem enfraquecido e assim ele poderia vingar a morte de sua esposa, então, acreditando que seu filho fosse um homem, lhe deu o nome de Obánani e lhe ensinaria toda a arte da guerra para que se tornasse um grande rei e ajudasse a vingar a morte de sua mãe. Assim, com os passares dos anos, Obá cresceu como homem, vestindo-se como homem, andando como homem e agindo como homem. Obá realmente acreditava ser um homem pois, como não havia mais mulheres no reino de Ekô, não sabia diferenciar homem de mulher. Obánani se tornou forte e o melhor dos guerreiros, impiedoso e valente, nada e ninguém emplacava sua força, e com suas tropas e força, conquistou vários reinos para seu pai Anani que o admirava com orgulho vendo o filho tão forte e bravo. Obanani não distinguia o que era amor, não distinguia o que era atração e muito menos o que era paixão, seu amor era a guerra, sua maior atração era a morte e sua paixão era sua espada, nada escapava das lâminas de Obanani

Certo dia, foi ordenada à Obánaní destruir um reino próximo de Ekô que foi designado por seu pai a destruição e monopolitização de Ekô nesta terra, esse reino se chamava Irê, a terra do orixá Ogún, o mais conquistador de todos os orixás e também grande ferreiro e ferramenteiro irmão de Oxóssi, o rei de Ketú. Obánaní seguiu com as ordens e pôs a marchar para a terra de Irê. Ogún sentiu um frio e como mágica Exú, o mensageiro dos orixás apareceu, lhe dizendo que uma forte tropa estava a caminho de Irê e que esta tropa era liderada por uma mulher. Ogún desacreditado das palavras de Exú, foi se consultar com um babálawo, este lhe dizendo que era realmente uma mulher a líder da tropa e que seu nome era conhecido em toda a parte, sendo venerado como o “Deus” da guerra e que Ogún não tinha chance alguma contra essa vitoriosa guerreira. Ogún perderia o embate e em consequência, perderia o título de Deus da guerra. Ogún ficou enfurecido com aquilo, “como uma mulher poderia vence-lo?” e como ele poderia perder para alguém, Ogún era indestrutível e sua força insuperável. Então Ogún perguntou ao babálawo como poderia contornar a situação, e como no culto Iorubá se trabalha com Darma e não com Karma, o babálawo lhe recomendou servir um cabrito, um saco de búzios e 13 galos à Exú, que este lhe faria o feito para vencer o embate e continuar com o título e então, assim Ogún fez o ebó e dado à Exú, cumpriu com seu papel dando-lhe tudo o que o babálawo recomendou. No dia seguinte, Obánani chegou ás terras de Ogún e com sua forte tropa partiu para cima de Ogún, este que já sabia do plano de Exú, levou a batalha para somente um canto da cidade, bloqueando as outras entradas e saídas com pedras e falsos arbustos espinhosos e venenosos. Só havia um caminho, só havia uma entrada e era a mesma da saída, e então Ogún encurralou Obánani onde era de local marcado. O embate havia começado e Obananí estava com sangue nos olhos para cima de Ogún, quase o matando com poucos golpes e Ogún assustado com tamanha força e ainda desacreditado que poderia ser mesma uma mulher. Chegando no local, Exú jogou sobre o chão um ensopado de quiabo gosmento e escorregadio no local, onde nenhum ser conseguiria parar em pé e com a luta se travando, Ogún passou do local, esperando do outro lado Obánaní atacar quando de repente, Obánaní escorrega e não consegue se levantar, era a poça de quiabo que Exú jogara a mando de Ogún. Assim Ogún foi tirar a dúvida de que era realmente uma mulher, então como Obánaní estava impossibilitada de contra-atacar, Ogún despiu Obánaní e com seus próprios olhos, viu que era realmente uma mulher, neste exato momento, Ogún assediou Obánani, deixando-a completamente derrotada e desdonzelada por Ogún. Pensou Ogún: – “Que melhor forma existe vencer de uma mulher senão à assediando”… Assim Ogún prendeu Obánani em seu reino e a obrigou casar-se com ele. Obanani não entendia nada do que havia ocorrido, e nem sabia do que se tratava daquilo que ocorreu quando estavam no chão, vendo seu órgão sexual tão diferente da do seu oponente, e também reparara que havia peitos diferentes das quais seu oponente tinha. Obánani então se questionou e Ogún lhe respondera:

– ” Oras Obanani, eres uma mulher, não reparou em seu corpo não?… e nem no meu?…sou seu marido de agora em diante e irei destronar o reino de vosso pai e ter você como troféu. “

Obanani que ainda não entendia nada, continuara ali sem entender nada, então para ela foi chamado um babálawo e este lhe explicou tudo o que havia acontecido no passado e tirado todas suas dúvidas. Obananí não acreditara no que ouvia, e com raiva e ódio, queria sair de lá a todo custo com um ódio infernal dos homens, tanto que por pouco quase mata o babálawo mas Obananí estava fraca e enjoada, sentindo-se cansada e com fortes contrações em sua barriga. Obá foi levada a um curandeiro do local, este dissera que Obanani não tinha doença alguma, Obananí estava grávida de Ogún. Assim com ódio do que houve, não queria ter o filho de Ogún e muito menos carregar uma criança consigo por semanas até nascer, Obanani desconhecia aquilo. Então Obananí fugiu do reino de Ogún se escondendo na floresta. Obanani estava fraca, estava doente e faminta, pôs se a correr atrás de um cervo mas como não tinha habilidade alguma com caças, Obananí não conseguiu abater o animal, deixando-o escapar. Olhando do alto da árvore estava Oxóssi, o rei de Ketú e Deus da caça, que a tudo observava. Oxóssi comecara a rir e descendo da árvore, com um simples atirar, num segundo o animal caiu morto no chão com uma flecha no pescoço. Obanani vendo Oxóssi, o reconheceu como homem e foi para cima dele, mas logo foi travada por ele, pois, com um veneno paralisou Obanani por alguns instantes. Oxóssi curou Obananí, e lhe revestiu com peles de bichos para que não sofresse frio e nem picada de mosquito. Obánaní quando voltou a se mexer viu como Oxóssi era diferente dos outros homens que só a abusavam e a enganavam a vida toda. Então Oxóssi a alimentou e lhe deu um arco e flecha, ensinando-a a caçar para que não dependesse de ninguém. Por tempos Obánani viveu no reino de Oxóssi aprendendo com ele e com Ossaíyn, divindade das folhas liturgicas, a arte da caça, da pesca e do cultivo a terra, porém Obananí queria se vingar do pai, então saiu de Ketú e se pôs as terras de Ekô, onde era terra de seu pai. Obá voltou após meses, e seu pai Ananí estava preocupado com o “filho” que teria ido à guerra contra Ogún. Obanani estava com muito ódio e clm raiva de seu pai. Este com nenhum dó de sua filha Obánaní, disse-a que sempre soube que era mulher e que desde que virou “mocinha”, aquele carinho que fazia nela a noite era assédio sexual e então Obanani com mais ódio ainda, arrancou sua espada e cortara a cabeça de seu pai sem misericórdia alguma, Obananí grávida e sozinha lutou contra o reino todo que só havia homens, e sozinha venceu um por um sem recuar, ser hesitar, apenas com ódio e raiva no peito por ter sido enganada, ter sido assediada, ter sido treinada como homem, matou e matou mais e mais soldados de Ekô não deixando sobrar um, ficando sozinha com todos os corpos dos homens jogados mutilados no chão. Obánaní entrou num depressão profunda e por dias caída no chão quase morreu novamente e seu filho no ventre prestes à nascer. Exú contara à Ogún que sua esposa estava em Ekô e quase morta, então Ogún foi até lá encontrando-a no chão quase morta e com vários corpos mortos de soldados a seu redor. Obanaí havia se lavado de sangue. Ogún levou sua esposa para Irê e lá ela foi tratada e protegida. Obananí acordara e deu a luz a seu primeiro filho que na verdade era menina, esta sendo filha de Obá com Ogún. Obá ainda sentia raiva dos homens, e tentou mais uma vez matar Ogún, quando este expulso-a de seu reino pois não queria que houvesse aquilo que havia ocorrido em Ekô, deixando sua filha a seus cuidados e aos cuidados de sua primeira esposa Oyá.

Anos depois, Obánaní havia se recuperado. Vivendo sozinha ela estava, pois, havia aprendido com Oxóssi a se virar, então por anos treinou sozinha, e preparou sua tropa com mulheres que eram abandonadas por seus maridos, ou assediadas ou mal-tratadas e formou um grupo de amazonas guerreiras e caçadoras, esta que após ter tido forças o suficiente, voltou a Ekô e destronou o atual rei da sua antiga cidade, não deixando nada para trás, criou uma maçonaria somente de mulheres, onde iria juntar todas as mulheres e se opor aos homens do mundo. Obánaní subiu ao trono de Ekô e foi titulada pelas amazonas somente como “Obá” que significa rainha. E reconstruiu seu antigo reino a renomeando como ÈLÉKÒ que significa “Nova Ekô” e tomando seu lugar por direito ao trono como rainha e soberana daquele reino sendo Obá chamada assim também como ÉLÈKÒ com a letra “E” do meio acentuado para trás, que significa “Senhora de Elekô” ou também como ÉLÈKÒ ÁDJÁOSÍ que significa ” A senhora de Elekô guardiã da esquerda” (Esquerda era o nome dado ao poder feminino para os Nagôs, enquanto o poder masculino era chamado de Direita) assim, ficando como ” Senhora de Elekô guardiã do poder feminino”,esta era Obá. Porém, com todo esse grande poder que estava recebendo a sociedade de Obá, as outras Iyágbás (orixás fêmeas) começaram a adotar sua ideia e junto à Obá fizeram sua sociedade mais forte ainda, e como um grande apoio, havia um dos grande símbolos do poder feminino, a Orixá Oxún, ninfa d’água e rainha de Oxogbô que com todo seu poder uniu forças com Obá para destruir o poder masculino e junto a todas as Iyágbás, Obá e Oxún estavam prestes a tomar o poder do mundo para elas tirando dos orixás fúnfúns (que eram também masculinos) e dos Obóros (orixás masculinos) o controle maior do mundo. Então se iniciou o plano de atacar e reabilitar o poder à elas. Exú ouviu tudo, e no conselho da Direita, junto à todos orixás masculinos, Exú contou à Orúnmilá todo o plano de Obá e Oxún e precisavam arquitetar um plano para que não fossem destronados pelo poder da Esquerda, assim Orúnmilá tinha uma grande vantagem, podia usar seu oráculo e odús para adivinhar o futuro e viu que se nada fosse feito, o poder da Esquerda dominaria tudo. Então Orúnmilá teve como resposta de seu Oráculo uma ideia para manter tudo em equilíbrio, e manter o poder feminino e poder masculino em equilíbrio para que o mundo não fossem destruído, pois, era todo um conjunto e como Orúnmilá disse,” todos os opostos servem para manter o equilíbrio. Já viu dia sem noite?…preto sem branco?…orun sem aiyê?… não podemos deixar o mundo em desequilibrio”, então se iniciou um plano, plano este que era necessário alguém seduzir Obá e te-la como esposa para que tudo fosse consertado, mas precisava de alguém para bota-lo em prática mas nenhum orixá topou em conquistar Obá e te-la como esposa. Ogún negou dizendo que já havia casado com Obá e que iriam se matar. Oxóssi disse que tinha Obá como amiga e que não conseguiria fazer algo assim com ela. Obáluwaiyê dissera que desse jeito não aguentaria, pois era muito agressivo. Ossaíyn e Oxúmarê se mantiveram calados enquanto os outros empurravam um para o outro a responsabilidade. Assim Exú se pronunciou e dissera que o único que conseguiria levar esse plano à frente era Xángô, pois, Xángô tinha várias mulheres de todos os tipos e somente ele, um grande rei poderia tomar as forças da poderosa Obá e reverter a situação. Então o plano foi colocado em ação, e Xángô precisava conquistar Obá, assim Exú deu suporte e os dois foram ao encontro de Obá, que ao chegar, vendo a rainha Obá se banhando no rio, Xángô chegou todo carinhoso e jogando seu charme para Obá que, ao ve-lo se assustou e já iria empunhar sua espada para um corte rápido e certeiro, porém, Xángô foi gentil e delicado e com calma e belas palavras, adoçou a amazona Obá. Esta sendo durona, ainda continuava mulher, então seguindo o conselho de Orúnmilá de que tinha que ir no ponto fraco de qualquer mulher, Obá sentiu pela primeira vez o amor, esta imediatamente se apaixonando por Xángô, tendo com ele vários casos de romance, assim o plano corria forte e cordial e era necessário afastar Obá de Oxún para que a intervenção da Esquerda não ocorresse. Ao longo do tempo, Obá foi amando cada vez mais Xángô e se entregando à seus caprichos, assim Xángô e Obá tiveram uma filha, esta chamada de Opará e que seria símbolo da união de Obá e Xángô. Então o plano continuava a correr, e Xangô sabia que poderia ataca-las na culinária. Durante anos, Xángõ criou uma rivalidade entre as duas, sabendo de todas as vinganças que uma faria contra a outra para não perderem o amor de Xángô. Assim, Exú se encarregava de contar uma para outra o que poderia fazer, e como Oxún poderia atacar Obá e vice-versa. Assim começou:

Oxún corta o rabo do cavalo branco de Xangô e culpa Obá.

Obá x Oxún
Obá coloca brasas no tapete de Oxún e esta queima os pés.
Oxún esconde a pedra do raio de Xangô e culpa Obá por roubo.
Obá tenta matar o filho de Oxún afogado, Logún-Edé.

E nisso por tempos continuavam e continuavam, até que um dia precisava ser decisivo, então, Orunmilá dissera a Xangô que o final seria na culinária, e que Oxún iria brigaria com Obá e naquele dia as duas iriam se opor para que depois unissem forças para não atacarem o lado da Direita, pois, na verdade Orúnmilá queria que Obá conhecesse o lado bom da vida que é amar e ver que não era necessário guerra, e foi o que ocorreu, Oxún e Obá brigaram, mas Xangô não sabia que isso ocorreria em um de seus pratos prédiletos chamado o Amalá, prato que liga toda a ancestralidade de sua família, então Xangô viu a orelha de Obá no Amalá e inconsequentemente sem pensar expulsou Obá de seu reino, a exilando das terras de Oyó devido a um ato tão sujo e desrespeitoso contra todo seu povo e sua dinastia, assim Xángô havia quebrado o plano, e Obá invés de sentir amor pelos homens, sentiu mais ódio ainda, então desabrigada voltou para a floresta com ódio dos homens e que voltaria a Elekô para unir forças e destruir de uma vez o poder masculino do mundo. Mas Obá ficou triste com o que ocorreu, ficou desiludida de amor por Xangô e sentiu a pior dor que um ser possa sentir, a dor do amor! Essa dor foi tanta que Obá saiu pelas estradas sem rumo, sem ver onde estava indo e todos que entrassem em sua frente, Obá cortava com sua espada sem razão ou motivo. Foi para a floresta, chorou tanto que de suas lágrimas criou o Rio Obá, e por ali Obá ficou. Obá procurava pelo único ser que se importou com ela, este era Oxóssi, então Obá caminhou por dias na floresta atrás de Oxóssi mas não encontrava, somente se eoncontrando com Ossaíyn. Este por sua vez assustado em ver Obá, disse-lhe o que ela estava fazendo ali, então Obá disse que procurava por Oxóssi e que arrancaria fora a cabeça de Ossaíyn se ele não contasse. Ossaíyn disse-a que encontraria Oxóssi mandando seu pássaro sagrado chamado Ipesán procura-lo pela floresta. Ossaíyn cuidou de Obá a todo momento curando-a com o sumo das folhas e raízes porém Obá não confiava em nenhum homem a não ser em Oxóssi, então durante esse tempo, Ossaíyn ficou a merce de Obá com uma espada apontada em seu pescoço, qualquer movimento suspeito à Obá, ele seria decapitado. Passado algumas horas, Oxóssi chegou e Obá se desmanchou aos braços do caçador. Oxóssi já sabia do ocorrido e ajudou Obá novamente. Deixando-a viver com ele de novo e a aprender coisas novas. Por um bom tempo, Obá viveu com Oxóssi e ficou sendo praticamente o lado feminino de Oxóssi. E Oxóssi sem perceber, consertou o que Xangô não fez, ele fez com que Obá não quisesse se vingar dos homens e que ficaria o equilibrio entre homem e mulher no mundo sem que havesse disputas entre as Iyágbás e os Obóros. Assim Obá mudou muito seu conceito, e descobriu que seu verdadeiro amor sempre foi Oxóssi, pois o que é mais forte que o prórpio amor, é o companheirismo que existe entre um ser e o outro, sem companheirismo não tem amor, não paixão, não tem carinho e não tem união. Temos sempre que pensar na ajuda mútua e ambígua, para que se haja harmonia.
Após certo tempo, Obá voltou a conhecer o mundo e a liderar sua grande sociedade feminista. Obá para sempre se lembrara de Oxóssi e todos os Obóros agradeceram à Oxóssi pelo feito, tanto que deram a ele o direito de ser o símbolo do equilibrio e junto à Xango, sinônimo de vida, de força e de prazer. Que por coincidência ou não, se tornaram sinônimo de Candomblé no mundo todo. O Ofá (arco e flecha) de Oxóssi e os Oxés (machados de dois lados) de Xángô.

 

 

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