Logum Edé

Oferendas

OBS: Toda oferenda para Logun, pode levar um peixe em cima
( sempre que se limpa o peixe para logun, as escamas e as tripas, vão para Eshu na encruzilhada, colocando sobre uma folha de prosperidade, e acendendo uma vela).
Pode-se agradar Oxun, antes de fazer a oferenda à Logun. Os pedidos à Logun, devem ser feitos em voz baixa, sussurrando.

Omelete de Logun
Bater 8 ovos, ir fritando em colheradas, no óleo de girassol. Cortar vagem bem fininha, e refogar no camarão, cebola e dendê. Como se fosse fazer panqueca, põe-se um pouco da vagem refogada em cima do omelete, e vai enrolando e arrumando na travessa, Oferce nos pés de Logun, com flores e perfume

Pamonha de Logun
Ralar 7 espigas de milho e acrescentar coco ralado e açucar. Fazer troxinhas com a palha do miho, amarrando com o fio da própria palha. Colocar na água fervente por alguns minutos. Retirar e abrir numa travessa, enfeitada com folhas de Logun. Arrumar sobre as pamonhas, fatias de coco, e regar com bastante mel. Oferecer no pés do Orixá, cachoeira ou rio.

Para Prosperidade
Arrumar num prato de barro, bananas ouro amassadas e misturadas com mel, Enfeitar com um favo de mel. Arrumar em outro prato de barro, uma farofa de mel. Colocá-los um ao lado do outro. Ascender 1 vela e fazer os pedidos.

Para Paz e Tranquilidade
Cozinhar e pilar um inhame do norte, com mel. Fazer uma farofa de mel. Arrumar meio a meio na travessa. Regar com bastante mel. Ascender 1 vela e fazer os pedidos

Para equilibrar um filho de Logun

Torrar 2 Kg de feijão fradinho. Ir para a beira de um rio. Ascender 1 vela. E, com o pé esquerdo dentro da água, e o direito na terra, ir jogando o jeijão, sobre a cabeça, deixando cair, tanto na água, quanto na terra. Jogando, e fazendo os pedidos.

Omolokun para Logum Edé
Preparar um Omolokun, utilizando azeite de dendê para refogar os temperos. Por numa travessa de barro, e enfeitar com 5 ovos crus. Ascender 5 velas em semi círculo, e oferecer ao Orixá.

Para Vitória
Milho cozido e socado com mel. Arrumar numa travessa de louça amarela. Oferecer com 1 vela acesa.

Para Vitória
Preparar um Omolokun, arrumar na travessa, e enfeitar com 5 gemas cruas. Regar com bastante mel, e povilhar com a crista de uma fava de aridan ralada. Oferecer com 1 vela acesa.
Para abrir caminhos
Cozinhar um inhame do norte. Amassar a metade com mel, e outra metade com dendê. arrumar na travessa meio a meio. Ascender 1 vela e oferecer.
OBS: o segundo ebó feito na fundamentação, com 1 tainha e farofa de gemas, é uma oferenda sempre recomendada, para os filhos de Logun edé.

Erinlè teria tido, com Oxum Ipondá, um filho chamado Lógunède (Logunedé), cujo culto se faz ainda, mas raramente, em Ilexá, onde parece estar em vias de extinção.”
Do livro “Orixás – Pierre Fatumbi Verger – Editora Corrupio”
“No Brasil, tanto na Bahia como no Rio de Janeiro, Logunedé tem, entretanto, numerosos adeptos. Esse deus tem por particularidade viver seis meses do ano sobre a terra, comendo caça, e os outros seis meses, sob as águas de um rio, comendo peixe. Esse deus, segundo se conta na África, tem aversão por roupas vermelhas ou marrons. Nenhum dos seus adeptos ousaria utilizar essas cores no seu vestuário. O azul-turquesa entretanto parece ter sua aprovação. É sincretizado na Bahia com São Expedito.”
“PAI CIDO DE ÒSUN EYIN(CANDOMBLÉ -A PANELA DO SEGREDO)”
Hoje, na Nigéria, a mais rica cidade chama-se Ilesa, e é a cidade de Logun Ede, que para muitos é metade homem e metade mulher, o que não é verdade. Logun Ede é um santo único, um Orixá rico que herdou tanto a beleza e agilidade do pai quanto a beleza e riqueza da mãe. Em Ilesa, uma das cidades mais prósperas da África, encontra-se o palácio de Logun Ede.

Lendas

 

A mãe criadora

Conta a lenda que Osun teve uma grande paixão na sua vida: Osossi, mais na época era casada com Ògún e não podia ter nada com Osossi. Numa das saídas de Ògun para guerrear, Osun encontrou Osossi e dele ela engravidou.
Nove meses depois, quando a criança estava para nascer, Ògún mandou recado que estava regressando.
Osun não podia mostrar a ela a criança.
Ela deu a luz a um menino e o pôs em cima de um lírio e ali o deixou e foi embora.
Iansã passando viu aquela criança e sabia que era de Osun, pegou e criou Logun Ede.
Iansã o ensinou a caçar e pescar.
Logun Ede viveu com Iansã durante muito tempo.

O reencontro

 

Certo dia Logun Ede saiu para caçar.
Quando estava no topo de uma cachoeira, olhou para baixo e viu uma linda mulher sentada nas pedras, tomando banho e se penteando.
Ele ficou fascinado pela beleza desta mulher.
Aí ele desceu e ficou olhando-a escondido.
Osun com seu abebe (espelhinho) viu que havia um homem a observando.
Virou o abebe para ele.
Neste momento Logun Ede se encantou e caiu nas águas em forma de cavalo marinho.
Iansã quando soube, correu atrás de Osun e disse a ela que aquele menino que ela havia encantado era seu filho: Logun Ede, que um dia ela havia deixado em cima de um lírio. Osun desfez o encantamento e disse que apartir daquele dia Logun Ede viveria seis meses na terra como o pai, comendo da caça e seis meses viveria como a mãe, comendo do peixe.

fascínio


Logun Ede, o menino caçador, andava pelos matos quando um certo dia, passando pela beira do rio Alaketu, ele viu no meio do rio um palácio muito bonito.
Voltou para sua cidade, relatou a beleza deste palácio e sua vontade de ir até lá.
Disseram a ele que era o palácio de Osun, Lugar em que nenhum homem punha os pés.
Passou-se o tempo e Logun Ede não encontrava um meio de ir até lá. Um certo dia, encontrou sua mãe de criação, Iansã, que lhe confirmou que no palácio de Osun nenhum homem punha os pés e ele só conseguiria entrar se se vestisse como mulher.
Logun Ede fascinado e obcecado pelo palácio pediu a Iansã que lhe arrumasse os trajes adequados.
Depois de arrumado, pegou sua jangada e se pôs no rio a caminho de palácio.
Chegando em terra cantou:
Alaketo-ê
Ala Ni Mala
Ala Ni Mala
okê
Este oro foi cantando em saudação às águas e pedia permissão à dona do palácio para sua entrada.
Abriram-se os portões e Logun Ede entrou e no meio das mulheres Osun reconheceu seu filho.
Disse que apartir daquele dia Logun Ede usaria saia, que lhe daria o direito de reinar ao seu lado.

O belo

 

Logun-Edé era filho de Osun e Osóssi. Sem poder viver no palácio de Osun, foi criado por Oiá na beira do rio. Osóssi seu pai, era demasiado rude e não conseguia conviver com o filho, sumindo por longo tempo em suas caçadas. Logun, afeiçoado pela mãe, vez por outra ia ao palácio de Sango, onde Osun vivia. Logun vestia-se de mulher pois Sango era ciumento e não permitia a entrada de homens em sua morada. Assim, Logun passava dias e dias vestido de mulher mas na companhia de sua mãe e das outras rainhas.
Um dia houve uma grande festa no orun à qual todos os orisás compareceram com seus melhores trajes. Logun-Edé, que vivia na beira do rio a caçar e pescar não possuía trajes belos. Foi então que vestiu-se com as roupas que Osun lhe dera para disfarçar-se e com elas foi à grande recepção. Ao chegar, todos ficaram admirados com a beleza de Logun-Edé, e perguntavam: “Quem é esta formosura tão parecida com Osun?”. Ifá, muito curioso, chegou perto do rapaz e levantou o filá que cobria seu rosto. Logun-Edé ficou desesperado e saiu da festa correndo, com medo que todos descobrissem sua farsa. Entrou na floresta correndo e foi avistado por Osóssi que o seguiu, sem reconhecê-lo, encantado com sua beleza. Logun-Edé, de tanto correr fugindo à perseguição do caçador, caiu cansado. Osóssi então atirou-se sobre ele
amado por Osóssi e Ósum
Estava Òsóssì o rei da caça a caminhar por um lindo bosque em companhia de sua amada esposa Òsún, dona da beleza da riqueza e portadora dos segredos da maternidade. Quando de seu passeio, foi avistado por Òsún um lindo menino que estava a beira do caminho a chorar, encontrando-se perdido, Òsún de pronto agrado, acolheu e amparou o garoto, onde surgiu nesse exato momento uma grande identificação, entre ele, Òsún e Òsóssì.
Durante muitos anos Òsún e Òsóssì, cuidaram e protegeram-lhe, sendo que, Òsún procurou durante todo esse tempo a mãe do menino, porém sem sucesso, resolveu te-lo como próprio filho. O tempo foi passando e Òsóssì, vestiu o menino com roupas de caça e ornamentou-o com pele de animais, proveniente de suas caçadas. Ensinou a arte da caça, de como manejar e empunhar o arco e a flecha, ensinou os princípios da confraternidade para com as pessoas e o dom do plantio e da colheita, ensinou a ser audaz e a ter paciência, a arte e a leveza, a astúcia e a destreza, provenientes de um verdadeiro caçador. Òsún por sua vez, ensinou ao garoto o dom da beleza, o dom da elegância e da vaidade, ensinou a arte da feitiçaria, o poder da sedução, a viver e sobreviver sobre o mundo das águas doces, ensinou seus segredos e mistérios.
Foi batizado por sua mãe e por seu pai de Lógún Edé, o príncipe das matas e o caçador sobre as águas. Viveu durante anos sobre a proteção de pai e mãe, tornando-se um só, aprendendo a ser homem, justo e bondoso, herdando a riqueza de Òsún e a fartura de Òsóssì, adquirindo princípios de um e princípios de outro, tornando-se herdeiro até nos dias de hoje de tudo que seu pai Òsóssì carrega e sua mãe Òsún leva.
oxum ipondá e erinlé
Um dia Oxum Ipondá conheceu o caçador Erinlé e por ele se apaixonou perdidamente. Mas Erinlé não quis saber de Oxum. Oxum não desistiu e procurou um babalaô. Ele disse que Erinlé só se sintia atraído pelas mulheres da floresta, nunca pelas do rio. Oxum pagou o babalaô e arquitetou um plano: Embebeu seu corpo em mel e rolou pelo chão da mata.
Agora sim, disfarçada de mulher da mata, procurou de novo seu amor.

Erinlé se apaixonou por ela no momento em que a viu. Esquecendo-se das palavras do adivinho, Ipondá convidou Erinlé para um banho no rio. Mas as águas lavaram o mel de seu corpo e as folhas do disfarce se desprenderam. Erinlé percebeu imediatamente como tinha sido enganado e abandonou Oxum para sempre.

Foi-se embora sem olhar para trás. Oxum estava grávida; deu à luz a Logun Edé.

Logun Edé é a metade Oxum, a metade rio, E é metade Erinlé, a metade mato. Suas metades nunca podem se encontrar.
Ele habita num tempo o rio e noutro o mato. Com o Ofá, arco e flecha que herdou do pai, ele caça. No abebé, espelho que recebeu da mãe, ele se admira.

 

 



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